Roberto Sadovski

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Hilary Swank em 'Uma Vida de Esperança': 'Temos de reaprender a ser gentis'

Veja só como a indústria do cinema é curiosa. Se fosse lançado há, digamos, duas décadas, não seria estranho se o drama "Uma Vida de Esperança" rendesse ao menos uma indicação ao Oscar de melhor atriz à sua protagonista, Hilary Swank. Em pleno 2024, contudo, temos sorte de um filme assim, inspirador e desavergonhadamente lacrimoso, chegar aos cinemas!

Não existe uma gota de ironia na história de Sharon Stevens, uma cabeleireira que, em 1994, lidava com o alcoolismo e a distância de seu filho. Sua vida, porém, ganha novo propósito quando ela lê sobre Michelle, uma garotinha de 5 anos, órfã de mãe, que precisa de um transplante de fígado para se manter viva. Sharon se apresenta ao viúvo, Ed (Alan Ritchson), e inicia uma jornada que termina por mobilizar toda uma comunidade.

"As pessoas são imperfeitas e merecem uma segunda chance", diz Hilary Swank, que interpreta Sharon com um equilíbrio delicado entre uma pessoa vibrante que não aceita "não" como resposta e alguém que precisa encarar seus próprios demônios. "Eu preferi não conversar com ela antes de fazer o filme, não queria fazer uma caricatura, e sim minha própria percepção de quem ela é."

Para a atriz, que tem dois Oscar enfeitando sua estante - por "Meninos Não Choram" e "Menina de Ouro" -, "Uma Vida de Esperança" é sobre pequenos gestos e como eles podem fazer toda diferença. "O filme lida com algo que nos desconectamos, que é a gentileza", continua. "Acredito que uma história inspiradora nos faça reaprender a sermos gentis."

Hilary Swank em 'Uma Vida de Esperança'
Hilary Swank em 'Uma Vida de Esperança' Imagem: Sony

Dramas como "Uma Vida de Esperança", baseados em histórias reais e ancorados por atrizes de talento, eram comuns no calendário do cinemão. Julia Roberts ("Erin Brokovich") e Sandra Bullock ("Um Sonho Possível") encontraram em histórias assim um veículo para conquistar a Academia e sua estatueta dourada. O altruísmo hollywoodiano, porém, parece fora de moda.

Quando levanto que o público passou a torcer o nariz para produções inspiradoras por não se enxergarem mais naquelas situações, Hilary equilibra a balança. "As pessoas estão atravessando um momento de desfaçatez por causa de tudo que tem acontecido no mundo", pondera. "O cinismo é natural quando fica difícil enxergar a bondade."

"Eu estava em Nova York no 11 de setembro e vi a cidade se unir", emenda rapidamente. "Talvez ver a bondade nos outros possa reacender esse sentimento em nossa alma." Eu mencioso a tragédia nas enchentes no Rio Grande do Sul e a forma como voluntários se uniram para ajudar. "É um lembrete numa escala maior", diz. "Mas é importante que a gente lembre disso até nas coisas pequenas em nossa rotina." Gentileza, já dizia o profeta, gera gentileza.

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Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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