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Roberto Sadovski

REPORTAGEM

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Entrevista: Jungle Cruise traz ação e comédia em uma aventura à moda antiga

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Roberto Sadovski

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Colunista do UOL

30/07/2021 16h28

"Piratas do Caribe" apagou a linha do que pode ou não ser adaptado para o cinema quando a aventura com Johnny Depp transformou uma atração dos parques da Disney em filme. Foi um sucesso e, depois de cinco "episódios" (e do atual status de persona non grata de seu astro), a série chegou ao fim.

Hollywood, porém, não tolera um vácuo. "Jungle Cruise" existe justamente para preencher essa lacuna no calendário do estúdio do Mickey, usando basicamente os mesmos truques de seu filme de piratas. É uma aventura infanto juvenil que mistura locações exóticas - no caso, a floresta amazônica do Norte do Brasil -, uma trama com elementos sobrenaturais e um par de protagonistas carismáticos.

Eles são, no caso, Dwayne Johnson e Emily Blunt. Frank Wolff é capitão de um barco caindo aos pedaços que promove passeios na selva, partindo de Porto Velho. Seu caminho cruza com o de Lily Houghton, que busca uma planta mística que pode ser a chave para curar qualquer doença. Um nobre alemão (Jesse Plemons) busca o mesmo prêmio, e a jornada entra em choque com uma maldição ancestral, civilizações perdidas e ameaças de mentirinha.

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Dwayne Johnson e Emily Blunt em 'Jungle Cruise'
Imagem: Disney

Falta a "Jungle Cruise" o charme de Jack Sparrow, personagem de Johnny Depp em "Pratas do Caribe" que tornou-se um fenômeno. Dwayne Johnson tem jeitão de bom moço ao extremo, e nem a reviravolta no meio da trama consegue lhe tirar o ar de cara bacana. Ele faz uma boa dupla com Emily Blunt, que foge do estereótipo de mocinha indefesa e agarra o filme como sua força motriz.

É admirável, por outro lado, a habilidade do diretor Jaume Collet-Serra, parceiro de Liam Neeson em seus filmes de "velho rabugento casca grossa" (ele fez "Desconhecido", "Sem Escala", "Noite Sem Fim" e "O Passageiro") em elevar os limites do texto fraquinho para injetar emoção na narrativa.

SEM FÓRMULA PARA FENÔMENO

É dele o mérito de "Jungle Cruise" elevar-se além de bobagens da Disney no novo século como "O Aprendiz de Feiticeiro" ou "Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo". E não é à toa que Johnson o escalou para dirigir seu filme de super-herói, "Adão Negro".

Dificilmente, porém, "Jungle Cruise" terá o impacto ou a longevidade de "Piratas do Caribe". Não existe fórmula para reproduzir um fenômeno, e qualquer tentativa termina parecendo justamente isso: uma cópia que, mesmo com personalidade própria, não duplica os méritos do original. Decente, derivativo e divertido, a aventura funciona como passatempo ligeiro para entreter a garotada. Às vezes é o que basta.