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Oscar inclusivo: Na prática, novas regras não devem fazer muita diferença

Roberto Sadovski

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Colunista do UOL

11/09/2020 15h01

A Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood anunciou novas regras que começam a valer para o Oscar de 2024. O intuito é aumentar a representatividade e a inclusão na indústria. Para conseguir uma vaga entre os indicados a melhor filme, os produtores deverão seguir novos padrões de diversidade em suas fileiras. É um um passo necessário, ainda que tardio e pouco efetivo, para que o cinema reflita o mundo como ele é.

As medidas foram agrupadas em quatro categorias diferentes, abraçando o compromisso de aumentar grupos representativos - mulheres, negros, LGBT+ - em todas as etapas da confecção de um filme, de sua temática ao elenco, passando pela equipe até distribuição e marketing. Cada filme precisa seguir duas das quatro categorias para ser qualificado a concorrer à estatueta principal na cerimônia do Oscar.

Muita gente, claro, chiou. Acusaram a Academia de engessar a criatividade e de querer ditar os rumos criativos do cinema. Bobagem. Embora as regras possam parecer confusas, elas estão longe de ser intrusivas ou draconianas. A intensão mais que louvável dos produtores do Oscar é oficializar um movimento pela representatividade que busca fazer com que o cinema reflita melhor o mundo do lado de cá. Tem menos a ver com "controle criativo" e mais com oportunidades para profissionais, especialmente nos bastidores, que muitas vezes seguem invisíveis.

A verdade é que o cinemão ainda é feito por um grupo bem específico: homens brancos e héteros. No mínimo, as novas regras do Oscar (que, vale ressaltar, só entram em vigor a partir de 2024) recolocam a discussão sobre inclusão na indústria sob os holofotes. É um passo necessário para que o cinema torne-se ainda mais um reflexo de quem o produz e o consome

Na prática, entretanto, o impacto não será tão contundente, que é justamente o assunto de minha coluna em vídeo esta semana no canal do UOL no YouTube. Vale uma reflexão: nenhum vencedor do Oscar de melhor filme da última década seria impactado pelas novas regras, já que atenderiam aos critérios sem maiores problemas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL