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Roberto Sadovski

15 anos depois, '2 Filhos de Francisco' continua pura emoção

Roberto Sadovski

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Colunista do UOL

20/08/2020 18h07Atualizada em 24/11/2020 14h05

Acordei hoje com a triste notícia da morte de Francisco José de Camargo, pai dos cantores Zezé Di Camargo e Luciano. Ele tinha 83 anos. Conheci Seu Francisco brevemente na festa de lançamento de "2 Filhos de Francisco", filme de Breno Silveira que retratou a trajetória do homem simples que redefiniu o significado de "convicção".

Isso porque Seu Francisco tinha total certeza do que o futuro reservava para seus filhos, total confiança em seu talento e capacidade em criar música que dialogasse com o povo. Estava certo. Com registro emocionante, "2 Filhos de Francisco" capturou essa mesma conexão emocional e, quinze anos atrás, tornou-se um dos maiores sucessos do cinema nacional.

É notória a passagem em que Francisco, trabalhando em construção civil, comprou fichas telefônicas com o dinheiro que tinha no bolso para que seus amigos de labuta ligassem para a rádio da cidade pedindo para ouvir "É o Amor", canção que projetou a dupla para o sucesso. Seu Francisco pode ver a cena reproduzida no cinema, com Ângelo Antônio interpretando seu papel. Uma bela homenagem ainda em vida, coisa rara na cultura brasileira.

Segue o texto original, publicado em agosto passado.

Lembro bem quando li pela primeira vez sobre a "biografia da dupla Zezé Di Camargo e Luciano" que o diretor Breno Silveira pretendia levar aos cinemas. A música sertaneja passava longe de meu universo e meio que dei de ombros. O título, porém, era intrigante: "2 Filhos de Francisco". Quanto mais eu lia sobre a história da dupla, que espelha outros contos de superação tão populares na cultura pop, mais a curiosidade aguçava.

Percebi que não estava sozinho quando o filme chegou aos cinemas em 19 de agosto de 2005. O público, carente de um drama de emoções genuínas, abraçou a história e foi em peso aos cinemas. "2 Filhos de Francisco" criou conexão emocional inegável e teve público de mais de 5 milhões de pessoas. A música popular da dupla ajudou a alavancar o interesse, mas foi a habilidade em Silveira criar uma obra realmente emocionante que determinou seu sucesso.

Quinze anos depois, "2 Filhos de Francisco" mantém sua posição como um dos grandes fenômenos do cinema brasileiro. Mais ainda: nestes tempos estranhos, é um filme que reafirma a determinação do homem comum e de como seu esforço é capaz de mudar vidas. Ah! Também descobri na época que Luciano é um cinéfilo voraz, que foi determinante para o filme sair do papel.

Minha capa para a SET da época foi para "A Ilha", ficção científica já esquecida, assinada por Michael Bay. Por total vacilo meu não coloquei "2 Filhos de Francisco" na posição de destaque que merecia. É sobre este fenômeno que acompanhei de perto minha coluna em vídeo da semana para o canal do UOL no YouTube.