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Estreia de 'Mulan' direto no streaming é o 'novo cinema'

Roberto Sadovski

Roberto Sadovski é jornalista e crítico de cinema. Por mais de uma década, comandou a revista sobre cinema "SET". Colaborou com a revista inglesa "Empire", além das nacionais "Playboy", "GQ", "Monet", "VIP", "BillBoard", "Lola" e "Contigo". Também dirigiu a redação da revista "Sexy" e escreveu o eBook "Cem Filmes Para Ver e Rever... Sempre".

Colunista do UOL

05/08/2020 14h19

"Mulan", adaptação live action da animação Disney de 1998, finalmente ganha data de estreia. Mas não na tela grande, como os fãs esperavam. Depois de ser adiado várias vezes por conta da pandemia do coronavírus, os executivos do estúdio cravaram sua estreia em 4 de setembro - mas na plataforma de streaming Disney+.

É o primeiro grande filme que passa reto por um lançamento em tela grande, e seu sucesso pode significar um jogo novo para os hábitos de consumo de audiovisual. Desde que a pandemia cerrou portas nos cinemas em todo o mundo, os estúdios fizeram uma dança das cadeiras com as datas de seus grandes lançamentos, mas a palavra de ordem ainda é "indefinição".

Muitas produtoras adotaram o pragmatismo nos últimos meses, negociando a exibição de seus produtos em plataformas de streaming ou como VOD. "Greyhound", com Tom Hanks, foi lançado pela Apple TV. "Artemis Fowl", "Scoob" e a comédia "Um Crime Para Dois" foram outros exemplos de filmes agendados para os cinemas que saltaram direto para outros canais de exibição.

Até o momento, porém, a "regra" não se aplicava a candidatos a blockbuster do porte de "Mulan". Com um custo de US$ 200 milhões, a adaptação da animação que trazia vozes de Ming-Na Wen e Eddie Murphy ganhou direção de Niki Caro e escopo épico. Sua data original em março foi adiada duas vezes antes da decisão em migrar para o streaming.

É um risco que a Disney assume, e é uma experiência que entra no microscópio de todos os outros estúdios. A Warner segue com os planos de colocar "Tenet", de Christopher Nolan, nos cinemas de mais de setenta países em 26 de agosto - por aqui o filme segue agendado para 10 de setembro. Outros grandes lançamentos, entretanto, seguram o fôlego à espera de uma luz.

Tudo, por fim, depende dos números de "Mulan". Se o público der de ombros, aguardaremos as cenas dos próximos capítulos. Agora, se for um sucesso arrebatador na Disney+ (que vai cobrar um adicional de 30 dólares como 'lançamento premium', além da mensalidade de 7 dólares da plataforma), muda todo o jogo do cinema mundial. É sobre isso que eu falo na coluna em vídeo no canal do UOL no YouTube dessa semana.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL