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Renata Corrêa

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

O que Bárbara nos ensina sobre relacionamentos tóxicos?

Renato/Christian e Bárbara na lua de mel em Praga - Reprodução/Instagram
Renato/Christian e Bárbara na lua de mel em Praga Imagem: Reprodução/Instagram
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Renata Corrêa

Renata Corrêa (Rio de Janeiro, 1982) é roteirista, escritora, dramaturga. Com forte presença nas redes sociais (@letrapreta, no Twitter, e @recorrea, no Instagram), seus trabalhos têm foco no humor e no protagonismo feminino. Autora do livro ?Vaca e Outras Moças de Família? (Ed. Patuá), da peça ?A Fábrica de Cachorros?, e do documentário ?Clandestinas?, sobre aborto no Brasil. Apresenta com Carla Lemos, colunista de Universa, o Podcast Primas, sobre cultura produzida por mulheres, e a série de vídeos ?Como Não Ser Um Machista Babaca?. Escreveu a série ?Perrengue? (MTV) e foi roteirista dos programas ?Greg News? (HBO), ?Tá no Ar? (Rede Globo) e ?Fora de Hora? (Rede Globo). Atualmente é contratada da Rede Globo, onde escreve o quadro ?Mulheres Fantásticas? e uma nova série de humor para o Globoplay.

Colunista do UOL

17/11/2021 04h00

Um Lugar Ao Sol, a nova novela da Globo escrita por Licia Manzo, tem provocado discussões interessantes nas redes sociais, principalmente sobre meritocracia, desigualdade social e justiça. Todos são temas muito importantes, mas quem me faz dar saltos de pavor e colar no sofá de pura tensão quando aparece é Bárbara, personagem interpretada pela atriz Alinne Moraes.

Bárbara é linda, jovem, rica. Poderia ter o homem que quisesse, mas se apaixona e desenvolve uma fixação por Renato Meirelles, um playboy falido e alcoólatra que sequer se dá ao trabalho de responder as mensagens da namorada. Bárbara corre atrás do bofe como se ele fosse o último homem da terra, admite para irmã que sua obsessão é injustificada e que a única qualidade do rapaz é ser bom de cama. Parece completamente insensato - e é. Mas é tão real que dá um frio da espinha.

Toda vez que Bárbara surge na tela, eu faço uma longa lista mental de mulheres que conheço que já estiveram na mesma situação - envolvidas em relacionamentos com homens completamente disfuncionais, que dão pouco ou quase nada na relação, mas brincam de jogar umas migalhas de vez em quando para não perder a foda fixa de uma gata apaixonada. Não me orgulho, mas também já estive nesse lugar, que é uma mistura de carência, baixa auto estima e esperança patológica de um homem premiar meus esforços, reconhecer seus erros e finalmente mudar, retribuindo o amor que lhe é endereçado.

Quando estamos afogadas nesse tipo de paixão é difícil perceber que essa rejeição é na verdade sorte; quando um canalha desse naipe resolve dar o golpe e aceita casar e ser pai dos seus filhos a vida pode ficar horrorosa.

Bárbara caiu em um estelionato duplo: se apaixonou por um crápula e casou com seu substituto. Renato morreu assassinado, confundido com o seu irmão Christian, que assumiu sua identidade. Uma trama clássica de novelas e também uma alegoria bem realista para relacionamentos tóxicos. Um homem que não te ama pode até fingir gostar de você para se beneficiar do que você tem a oferecer: sexo, status, segurança, ou dinheiro. Mas nunca vai conseguir estabelecer uma relação em pé de igualdade com honestidade e afeto.

Ainda que Bárbara acredite que ganhou a disputa pelo amor de Renato ao casar com ele, assistir sua trama em Um Lugar Ao Sol é um lembrete muito incômodo de que relações unilaterais nunca são bem-sucedidas - e sempre são um desperdício de tempo, vida e amor.


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