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Renata Corrêa

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Gui Araújo acha que sabe usar a boquinha. Famosas discordam

Gui Araújo não sabe usar a boquinha direito - Reprodução/Playplus
Gui Araújo não sabe usar a boquinha direito Imagem: Reprodução/Playplus
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Renata Corrêa

Renata Corrêa (Rio de Janeiro, 1982) é roteirista, escritora, dramaturga. Com forte presença nas redes sociais (@letrapreta, no Twitter, e @recorrea, no Instagram), seus trabalhos têm foco no humor e no protagonismo feminino. Autora do livro ?Vaca e Outras Moças de Família? (Ed. Patuá), da peça ?A Fábrica de Cachorros?, e do documentário ?Clandestinas?, sobre aborto no Brasil. Apresenta com Carla Lemos, colunista de Universa, o Podcast Primas, sobre cultura produzida por mulheres, e a série de vídeos ?Como Não Ser Um Machista Babaca?. Escreveu a série ?Perrengue? (MTV) e foi roteirista dos programas ?Greg News? (HBO), ?Tá no Ar? (Rede Globo) e ?Fora de Hora? (Rede Globo). Atualmente é contratada da Rede Globo, onde escreve o quadro ?Mulheres Fantásticas? e uma nova série de humor para o Globoplay.

Colunista do UOL

27/10/2021 04h00Atualizada em 27/10/2021 12h24

Todo grupo de amigas tem um boy fácil orbitando. É aquele moleque que ninguém leva muito a sério, que todo mundo atura porque tem fama de safado, mas que você só pega quando bate o fogo-no-rabo e não tem nada melhor para fazer ou sentar.

Aparentemente esse boy fácil entre as famosas é o influenciador boca de caçapa Gui Araújo, atualmente participante do reality horror show "A Fazenda''. A função do rapaz na tv é dar detalhes sobre supostas relações sexuais consensuais entre adultos que ele diz ter tido antes de entrar no reality, como se sexo entre pessoas jovens do mesmo círculo social fosse um fenômeno sobrenatural inexplicável.

Existe uma expressão em inglês para pessoas que são desimportantes mas jogam nomes famosos em qualquer conversa para tirar onda que são relevantes: "name dropping". Funciona assim: do nada, mesmo sem contexto você diz que sai muito com o "Bruninho" (Gagliasso) ou esteve na festa da "Má" (Ruy Barbosa). Gui Araújo aperfeiçoou essa arte desagradável da maneira mais machista possível, agindo como um cardápio ambulante do Paris 6, cuja única qualidade é afirmar de forma escandalosa que está comendo famosos.

Mas ele não é o único. Em julho deste ano, o influenciador e dançarino Alê Oliveira (quem?) deu uma entrevista onde narrava uma transa com a vencedora do BBB 21 Juliette Freire. Juliette é um fenômeno incontestável e tem um fandom apaixonado e implacável que fez barulho o suficiente para que o dançarino fizesse stories no Instagram se desculpando pelo vacilo.

Esse tipo de história revela mais do que uma óbvia falta de educação dos homens envolvidos, mas também um fato mais sombrio e deprimente: para eles, sexo não é algo que se faz junto com as mulheres, mas algo que se tira delas, algo que deve ser conquistado, roubado; mais importante é o troféu e a exibição do que o jogo erótico, o desejo e o prazer de estar em companhia de outro corpo. Posso estar enganada aqui (provavelmente não), mas gente egoísta e autocentrada neste nível geralmente transa muito mal.

Diversas das mulheres citadas por Gui Araújo já vieram a público desmentir as histórias fantasiosas do rapaz; um absurdo, afinal, ninguém deveria ter que dar conta da própria vida para ninguém. Mas graças a elas, o influenciador iludido está no confinamento acreditando que aos olhos do público ele se tornará tão grande quanto as mulheres que ele está expondo; na verdade só está conseguindo revelar o quão pequeno ele é.

Para saber mais sobre o que eu penso ou deixo de pensar: Instagram e Twitter.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL