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Renata Corrêa

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Se a CPI fosse um reality show...

1º.jul.2021 - Luiz Paulo Dominguetti, representante da Davati Medical Supply, em depoimento à CPI da Covid - Edilson Rodrigues/Agência Senado
1º.jul.2021 - Luiz Paulo Dominguetti, representante da Davati Medical Supply, em depoimento à CPI da Covid Imagem: Edilson Rodrigues/Agência Senado
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Renata Corrêa

Renata Corrêa (Rio de Janeiro, 1982) é roteirista, escritora, dramaturga. Com forte presença nas redes sociais (@letrapreta, no Twitter, e @recorrea, no Instagram), seus trabalhos têm foco no humor e no protagonismo feminino. Autora do livro ?Vaca e Outras Moças de Família? (Ed. Patuá), da peça ?A Fábrica de Cachorros?, e do documentário ?Clandestinas?, sobre aborto no Brasil. Apresenta com Carla Lemos, colunista de Universa, o Podcast Primas, sobre cultura produzida por mulheres, e a série de vídeos ?Como Não Ser Um Machista Babaca?. Escreveu a série ?Perrengue? (MTV) e foi roteirista dos programas ?Greg News? (HBO), ?Tá no Ar? (Rede Globo) e ?Fora de Hora? (Rede Globo). Atualmente é contratada da Rede Globo, onde escreve o quadro ?Mulheres Fantásticas? e uma nova série de humor para o Globoplay.

Colunista do UOL

02/07/2021 04h00

Se um roteirista tentasse vender uma série de ficção com o enredo da CPI da Covid-19, certamente seria rejeitado pelos executivos de tvs e streamings. Ninguém compraria a ideia de um programa que se passa em uma única locação, protagonizado por homens brancos com ternos muito xexelentos, usando máscara ao contrário e soltando perdigotos pelo ar.

Além de sem charme, os personagens são muito pouco verossímeis. Dominghetti por exemplo. Qual o backstory de um PM do interior de Minas Gerais que do nada tem qualificação para negociar milhões de dólares em vacina? E que no meio do depoimento é desmascarado como um estelionatário comum, com a conta no vermelho, vários golpes na praça e que para descredibilizar denúncias mostra um áudio de negociação de luvas no Walmart fingindo que é vacina?

O roteirista envergonhado diria: ele teve um pai ausente na infância...

O executivo responderia: a gente entra em contato... (nunca)

Por isso acredito que a CPI poderia ser aproveitada para tv em outros formatos. O material bruto é excelente, e iria presentear o telespectador brasileiro com derivados e spin offs que nos entreteriam por meses.

BCPIB - Big Comissão Parlamentar de Inquérito Brasil

Dirigida pelo Boninho teria provas de resistência cruéis como resistir arrancar os próprios cabelos depois de ouvir doze horas do Marcos Rogério elogiando um bandido qualquer. Uma amiga querida sugeriu que o Boninho fizesse clipes explicativos com os melhores momentos do dia e nas edições ao vivo o Rafael Portugal poderia fazer uma paródia rimando Covaxin com Mocassim.

De Férias com o Ex Abusivo

Eduardo Pazuello estaria tomando sol de sunga numa espreguiçadeira em Brasília quando tocaria o sinal do tablet do terror. Andrea Barbosa sairia lindíssima do gramado da Praça dos Três Poderes, sacudindo as madeixas louras e disposta a f***** o general tartaruga ninja.

Master Chef especial Slow Cooking

Por quanto tempo Arthur Lira consegue cozinhar um super pedido de impeachment sem se queimar? Até agora o presidente da câmara está sendo bem sucedido, mas tudo pode mudar.

The Bullet Brasil

Um formato inovador, onde os jurados 01, 02 e 03 viram a cadeira e ameaçam com um tiro (ou um tweet tresloucado) quem cantar melhor na CPI, denunciando compras fraudulentas de vacina, a participação do palácio do planalto ou confirmando a existência de um gabinete paralelo do Ministério da Saúde que planejava ações negacionistas.

Infelizmente a CPI não é um reality show onde a verdade aparece, o Brasil tá vendo e os rejeitados pelo público vão pra roça. Tá cada vez mais difícil ver o vilão dessa edição ser penalizado, mesmo que o circo ao redor tenha os melhores palhaços do mundo.

Para maiores informações: Instagram & Twitter

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL