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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Eram horríveis! Cinco formas de comunicação que não vão deixar saudades

Telefone fixo já é passado  - iStock
Telefone fixo já é passado Imagem: iStock

Juliana Rodrigues

Colunista do UOL

18/06/2022 11h00

Já pensou em quantas coisas você usava para se comunicar e hoje nem sente falta? A gente não se dá conta, mas a nossa comunicação foi evoluindo tanto que qualquer dia superaremos a fala! E aí, na evolução da espécie, nasceremos sem língua — o que talvez seja uma perda ruim para outros aspectos da vida, não é mesmo?

Mas deixemos de divagar para, enfim, falar daquilo que é finito. Aquele tipo de comunicação que perdeu o significado, a importância, a vida. A seguir, nossa lista de "Aqui jaz..."

Aqui jaz a caneta

Ela não morreu completamente, é verdade. Aliás, ela também não pode ser velada porque ainda sobrevive com ajuda de aparelhos em quase todas as casas do mundo.

Em alguns lugares é possível até vê-la bem, saudável e disposta como em cartórios, nas escolas, no Banco do Brasil... Mas dentro de uma bolsa, em uma carteira, ela faleceu sufocada, deixando apenas suas manchas permanentes.

Uma tristeza se você pensar que a gente escrevia tanto... Hoje, não sabemos nem nossa própria letra!

Aqui jaz o telefone fixo

Quem ainda conserva uma linha, provavelmente é porque não negou o combo odioso de alguma operadora. Mas o fim do telefone fixo aconteceu sem nenhum adeus. Nunca mais ninguém saberá o que houve com o caminhão de gelo parado na sua porta... Uma de nossas primeiras (e nesse caso, maravilhosa) fake news.

Aqui jaz o telegrama

Antes, meus caros, notícia ruim chegava pelo correio e vinha em 2, 3 linhas, no máximo. Uma ótima época para quem odeia textão. O telegrama, para quem não sabe, era um papel fininho grampeado em um envelope pardo, contendo uma informação que te faria: sentar, chorar ou se jogar pela janela. Raras as vezes em que um feliz aniversário te fez sorrir. Era só tristeza mesmo.

Aqui jaz o cartão de visita

Essa é uma morte para ser comemorada. Uma comunicação perigosa e destruidora de árvores. Era um papel retangular com o nome, função, empresa, endereço, telefone e entregue pessoalmente. Na maioria das vezes esse papel ia para o lixo sem nem mesmo ser rasgado! Definitivamente era um tempo que ninguém sequestrava ninguém, simplesmente porque era fácil demais. Deixaram para fazer isso quando as informações passaram a ser criptografadas.

Aqui jaz a carta

Ah! Uma das coisas mais românticas da vida era também uma das mais trabalhosas. As cartas morreram. É triste, mas o seu fim era esperado por todos. Dava muito trabalho. Um dos piores momentos da vida era um amigo te dizer que moraria fora. Só de pensar no tempo que você perderia escrevendo tudo que estava acontecendo na sua vida, depois enviando e esperando a resposta... Era melhor perder o amigo. Mas, sem elas, Fernanda Montenegro não teria sido indicada ao Oscar e o Porta dos Fundos não faria essa esquete!

Ah! Saibam: E-mails e ligações de celular já estão em cima do telhado há um tempo. O fim está próximo, só aguardar.

* Juliana Rodrigues é roteirista e coordenadora de conteúdo do Porta dos Fundos (e se considera colecionadora de canetas e bloquinhos).