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Porta dos Fundos

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Reflexões de um reservista sobre as não-flexões do Exército Brasileiro

Positivo e inoperante - Reprodução
Positivo e inoperante Imagem: Reprodução
Porta dos Fundos

Textos semanais escritos pelos roteiristas do canal de humor Porta dos Fundos, responsáveis por mais palavrões ditos por famosos que a coluna do Léo Dias. "Roteiristas são como duendes: ninguém nunca os vê, mas fazem coisas mágicas por um prato de comida" (antigo provérbio chinês)

Colunista do UOL

07/10/2021 12h15

Jovens, ao completar 18 anos vocês ganham o direito de ver filmes que mostram o que acontece quando se pede uma pizza, além de uma série de outras vantagens. Porém, nem tudo são flores e encanadores. Muitos de nós também tiveram que ir em algum quartel para exibir nossas partes íntimas e nossas qualidades cívicas no alistamento militar. Antes mesmo de sonharmos com um diploma, muitos de nós querem mesmo é um certificado de reservista, o que não chega a significar que não seremos militares, apenas que estamos em uma espécie de banco de reservas das Forças Armadas, estocados como Cloroquina superfaturada.

Mas muitos de fato escolheram seguir carreira militar e, hoje em dia, isso parece ter sido um investimento melhor do que BitCoin — apesar de também poder se tratar de uma bolha.

Hoje, na mesma proporção que o verde das florestas é derrubado, o verde das fardas se enraíza na máquina pública brasileira como nem mesmo a ditadura (que eles chamam de "movimento") foi capaz de fazer.

Como Brasil é desafio narrativo para qualquer roteirista, é incrível ver como um ex capitão, expulso das Forças Armadas por terrorismo hoje as trata como uma criança brincando com seus G.I Joe's. E também é muito legal ver parte da população protestando a favor de um regime que, entre outras coisas, te proibiria de protestar no minuto seguinte que tomasse o poder. O Brasil é aquele porte de sorvete que você ataca de noite e descobre que dentro tem feijão congelado.

E como somos um país difícil de lidar, é compreensível que algumas pessoas prefiram um regime militar. Primeiro, sua opinião vale de acordo com o adereço que você carrega no uniforme. Se um cabo achar que a Terra é redonda e um capitão achar que ela é plana, a Terra será plana e ponto final. Se um avião oficial da FAB faz tráfico internacional de drogas, basta uma piada de ministro no Twitter zoando ex-presidentes e pronto. Se um general especialista em logística envia doses de vacina para o Amapá ao invés de Manaus por se confundir com as siglas, culpa dessas siglas.

Além do mais, "nos governos militares não havia corrupção" e isso é algo que acredito piamente, já que eles mesmo eram os responsáveis por investigá-la. O único roubo que de fato acuso nosso honrado exército de fazer vista grossa é o de flexões. Nas tradicionais rodas que eles fazem com o presidente a cada formatura de cadetes, claramente o chefe da nação faz, quando muito, uma meia prancha.

Mas isso é um problema menor e podemos perdoar essa nobre força que contribui tanto para o país, apesar de não contribuir muito para a previdência social. Porém, quanto a isso também não tenho críticas e acho que eles merecem um desconto já que, em caso de guerra, está provado que temos munição para apenas 1 (um) minuto de combate. Ou seja, nossos guerreiros precisarão ser muito rápidos no caminho até a vitória. Minha única preocupação quanto a isso é que eu sou reservista e, em caso de guerra, duvido que chegaria a tempo em uma guerra de um minuto. Sou carioca e péssimo com horários. Acabaria preso por trair a nação sem provar o sabor da vitória, que deve ser de Leite Moça.

*Gustavo Vilela é roteirista do Porta dos Fundos e subversivo de condomínio. No Instagram: @gutsvilela

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL