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Pedro Antunes

Anitta precisa mirar no Grammy global, não no Latino

Anitta está de olho no mercado dos Estados Unidos - Divulgação | Montagem: Pedro Antunes
Anitta está de olho no mercado dos Estados Unidos Imagem: Divulgação | Montagem: Pedro Antunes
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Pedro Antunes

Pedro Antunes, ou "Pô Antunes" pra quem só me conhece pelo Instagram, é jornalista, apresentador, curador e crítico de música e cultura pop desde 2010. Escreveu no Jornal da Tarde, Estadão e foi editor-chefe da Rolling Stone Brasil. Fez mais entrevistas do se lembra, tem um "novo disco favorito" por semana e faz mini-análises de álbuns no programa Tem um Gato na Minha Vitrola, no perfil @poantunes.

Colunista do UOL

28/09/2021 16h12

A ausência de Anitta no Grammy Latino é estranho, mesmo, mas nem tanto.

A maior premiação da música latino-americana precise ser mais valorizada por aqui - já que cada indicação é uma vitória enorme para artistas brasileiros ou de países vizinhos que trabalham em circunstâncias geralmente tão ruins, principalmente em um ano de pandemia, sem shows, sem renda, etc - mas talvez esta não seja mais a praia de Anitta.

A ex-MC Larissa e filha nobre de Honório Gurgel segue, a cada passo, buscando conquistar território no ainda mais difícil e cobiçado pop estadunidense. É lá em que estão os verdadeiros sacos de dinheiro cheios de dólares novinhos em folha.

E é para aquele mercado que Anitta lançou suas músicas mais recentes, algo óbvio ululante ao se ouvir "Girl From Rio", faixa na qual ela recicla as batidas do funk e estabelece novos estereótipos para o gringo que visitará o Rio de Janeiro no futuro, ou ainda em "Me Gusta", com as participações estrelates de Cardi B e 24KGold.

Embora sejam músicas que funcionem relativamente bem na América Latina, é clara a estratégia de se conectar com os hispano falantes que vivem dentro dos Estados Unidos.

Anitta já foi seis vezes indicada ao Grammy Latino e jamais ganhou prêmios - nem mesmo com "Downtown", com J Balvin, indicada na categoria de melhor canção urbana e possivelmente uma das melhores já feitas pela funkeira.

Poderiam ser inscritos no Grammy Latino de 2021 lançamentos que saíram entre 1º de junho de 2020 e 31 de maio de 2021.

A coluna procurou representantes da cantora para saber se, afinal, ela ou equipe inscreveram algo no Grammy, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

Talvez a turma esteja chiando nas redes sociais e Anitta nem sequer tenha se inscrito, sabe?

Embora "Girl From Rio" estivesse elegível para a disputa, seu foco nunca foi o mercado latino-americano.

Mesmo pela expectativa de que o funk brasileiro fosse mais reconhecido nesta edição do Grammy Latino já que, em julho, foi noticiado que o gênero musical estaria incluído nas categorias de "música urbana".

Surpreendentemente, nenhum artista brasileiro do funk foi lembrado nestas categorias.

A preocupação de Anitta deveria estar em garantir uma indicação no Grammy global. Esse sim - que na edição passada trouxe um trechinho a versão de funk de "WAP", criada por Pedro Sampaio, no meio da apresentação de Cardi B - deve ser o foco se a ideia dela é aparecer para o mercado dos Estados Unidos.

Três notas sobre o Grammy Latino

Tuyo agora vai me fazer chorar de felicidade

Trio de R&B de Curitiba conseguiu entrar numa disputa com gigantes da música brasileira na categoria Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa. Concorrem com "COR", do duo Anavitória, "A Bolha", de Victor Kley, "Duda Beat & Nando Reis", cujo título é autoexplicativo e "Será Que Você Vai Acreditar?", o melancólico trabalho de Fernanda Takai, também vocalista do Pato Fu.

As músicas do grupo paranaense são construídas com timbres vintage e harmonizações vocais fora da caixinha. Tudo muito gentil, como se fosse um abraço cheio de saudade. Já me fizeram chorar muito em shows por aí e o fazem de novo. Agora, de alegria.


Tem pisadinha no Grammy Latino, sim

O fenômeno da pisadinha ganha alcance continental agora que o duo Os Barões da Pisadinha garantiram uma indicação. Mais curioso é que eles estão em uma disputa na categoria dedicada ao sertanejo. Isso vai dar muito debate ainda.

Já nas indicações de rock/alternativo em português?

Tem Velhas Virgens, com o álbum "O Bar Me Chama", ao lado da fundamental e potente BaianaSystem, da sempre competente e pesada Scalene e do prolífico Marcelo D2. Vai entender.

Você pode reclamar comigo aqui, no Instagram (@poantunes), no Twitter (também @poantunes) ou no TikTok (@poantunes, evidentemente).