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Pedro Antunes

KL Jay resgata álbum com relíquias do rap nacional guardadas há 20 anos

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Pedro Antunes

Pedro Antunes, ou "Pô Antunes" pra quem só me conhece pelo Instagram, é jornalista, apresentador, curador e crítico de música e cultura pop desde 2010. Escreveu no Jornal da Tarde, Estadão e foi editor-chefe da Rolling Stone Brasil. Fez mais entrevistas do se lembra, tem um "novo disco favorito" por semana e faz mini-análises de álbuns no programa Tem um Gato na Minha Vitrola, no perfil @poantunes.

Colunista do UOL

08/09/2021 10h20

Sem tempo?

  • O rap nacional é gigante e o motivo disso é a geração que, na virada do século, elevou e ampliou o alcance do gênero.
  • E o primeiro álbum do DJ KL Jay, de alguma maneira, fez o retrato dessa efervescência.
  • Na Batida, Volume 3, contudo, estava fora das plataformas de streaming.
  • Lançado pelo selo do próprio DJ, com distribuição da Altafonte, o disco chegará às plataformas de streaming 20 anos após o lançamento.
  • O álbum do DJ traz participações de Sabotagem, Mano Brown, MV Bill, Xis, entre outros nomes fundamentais para o crescimento do gênero.

Em 1997, os Racionais MCs lançaram "Sobrevivendo no Inferno", álbum que hoje é até usado em questões de vestibular.

Portanto, quando chegamos a 2001, a cena de rap nacional efervescia, embora ainda engatinhassem em algumas questões.

Naquele 2001, por exemplo, Sabotage soltou o álbum solo "Rap É Compromisso!" e atuou do filme "O Invasor", de Beto Brant.

O gênero crescia e tomava, à força, os espaços que lhe foram historicamente negados. De repente, aquele era o som que a molecada ouvia. O futuro era promissor.

Ainda naquele 2001, o DJ do maior grupo de rap do país, KL Jay, lançava o primeiro álbum solo, "Na Batida, Volume 3", e, sem saber, criava ali um álbum de fotografias sobre a transformação da cena do rap brasileiro da virada de século.

Lançado então pela gravadora 4P Discos e distribuído pela Trama, o primeiro disco solo de KL Jay apresenta um momento de otimismo estético do rap.

São 21 faixas (era um álbum duplo, poderosíssimo) com participações que incluem Mano Brown, Edi Rock e Ice Blue, companheiros de banda, MV Bill, Xis, Rappin Hood e outros precursores do gênero, como o já citado Sabotage e Dina Di, que morreram em 2003 e 2010, respectivamente.

Capa de KL Jay Na Batida - Volume, 3 - Divulgação  - Divulgação
Capa de KL Jay Na Batida - Volume, 3
Imagem: Divulgação

E apesar de o título ser "Volume 3", é a estreia solo de Jay. O DJ lançou em 2018 o "Volume 2" e, no futuro, soltará o primeiro volume e fechar esta trilogia.

Só encontrado em versões piratas na web, "KL Jay Na Batida, Volume 3" enfim ganhará lançamento oficial nas plataformas de streaming nesta sexta-feira, 10 de setembro. O pré-save já está disponível e vem com um "salve" do KL Jay.

Desta vez, o álbum sairá pelo selo KL Música, criado pelo DJ para produzir novos artistas negros. A distribuição é da Altafonte.

Ouvir cada faixa é uma volta ao passado.

Se o rap nacional é gigante hoje, é porque essa turma estava lá, 20 anos atrás, para fazer o corre acontecer.

Veja, abaixo, a tracklist do álbum:

"Privilégio 1 / Séc 20-21" (feat. Edi Rock, Rota de Colisão, Possemente Zulu e Xis)
"O Sonho" (feat. Eli Efi & Xis)
"Piripac" (feat. RZO & Sabotage)
"Balanço Rap 1"
"Tudo Por Você Também" (feat. Xis)
"Ouvindo Um Som (feat. Consequência)
"Convocação Geral" (feat. Rappin' Hood)
"Só + 1 Maluco" (feat. MV Bill)
"Sbcalux" (feat. B.A.D.)
"Mente Engatilhada" (feat. Dina Di & Lakers e Pá)
"Ouve Aí"
"Na Rima" (feat. Potencial 3 & SNJ)
"Guerreira" (feat. Lady Cris)
"9616.1234"
"Balanço Rap 2" (feat. Ice Blue)
"Ao Vivo" (feat. JL (YOX) & Kamau)
"Tenta Copiar" (feat. DJ Cia)
"Se Liga na Rima" (feat. Funk Cia)
"Fita Dominada" (feat. Emmy Jota)
"Valeu!"
"Privilégio 2 (O tempo é Rei)" (feat. Mano Brown)

Você pode reclamar comigo aqui, no Instagram (@poantunes) ou no Twitter (também @poantunes).