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Pedro Antunes

Depois de Luísa Sonza, Vitão também é alvo de ataques de ódio. Até quando?

Por que as pessoas se divertem em odiar o Vitão? - Montagem: Pedro Antunes
Por que as pessoas se divertem em odiar o Vitão? Imagem: Montagem: Pedro Antunes
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Pedro Antunes

Pedro Antunes, ou "Pô Antunes" pra quem só me conhece pelo Instagram, é jornalista, apresentador, curador e crítico de música e cultura pop desde 2010. Escreveu no Jornal da Tarde, Estadão e foi editor-chefe da Rolling Stone Brasil. Fez mais entrevistas do se lembra, tem um "novo disco favorito" por semana e faz mini-análises de álbuns no programa Tem um Gato na Minha Vitrola, no perfil @poantunes.

Colunista do UOL

21/08/2021 08h30

Na plateia do Rock in Rio 2019, diante do palco Sunset, uma turma ao meu lado revirou os olhos quando Vitão surgiu em cena para dividir os microfones com Projota, a principal atração daquele horário. Foram buscar mais cerveja vendida inexplicavelmente por um preço de mais de dois dígitos o copo.

Nunca entendi bem essas histórias, o preço da bebida na Cidade do Rock e, principalmente, o ódio recebido por Vitão. O que houve ali?

Para piorar, parece que os dois anos que separam a estreia de Victor Carvalho Ferreira em um dos palcos mais importantes do Brasil para hoje só ampliaram o ódio recebido pelo artista paulistano.

Tudo o que ele faz é alvo de pancada. Se gosta de Racionais MC's brigam com ele. Se usa calça baixa, reclamam, se calça está alta, reclamam também.

O que Vitão fez para receber tanto ódio?

O que era bullying virtual, aos poucos, escalou para níveis perigosos.

Uma das maiores fake news da cultura pop brasileira, por exemplo, foi uma montagem em que Vitão comentava "meu casal" em uma foto de Luísa Sonza e Whindersson Nunes, então casados. O casal se divorciou, Sonza passou a namorar Vitão e o print se espalhou maldosamente nas redes.

A própria Luísa Sonza é constantemente alvo de ataques de ódio nas redes. Ela mudou os planos de lançamento do álbum de inéditas para fazer um detox e tratar da saúde mental em 2021. Escrevi, na época, como era importante não deixar o ódio vencer.

É o mesmo caso de Vitão. Além de todos os ataques recebidos devido ao relacionamento com Luísa Sonza (que chegou ao fim pela falta de "paz", disseram ambos), o jovem lançou o single "Takafaya" e foi novamente martelado nas redes como um prego fora de lugar.

Com um canto de R&B arrastadinho sobre batidas de lo-fi, "Takafaya" não é um rompimento com o estilo de Vitão que justifique o aumento considerável de ataques.

A música não é muito pior ou muito melhor do que outras que Vitão já lançou e atingiram seis dígitos de plays. O escalonamento desta história é pessoal, mesmo. Portanto, ao que tudo indica, a vontade é machucar, mesmo.

E isso é tão triste, não acham?

A ex-namorada Sonza publicou um desabafo após a nova leva de ódio enviada para o artista:

A participante do BBB 21 Camilla de Lucas também se manifestou a favor de Vitão.

O próprio artista respondeu desta vez nos stories do Instagram.

"Já me calei demais. Não quero mais engolir vocês. Sinceramente, Se você não gosta da minha música, não ouça. Se você não consegue conter seu comentário infeliz, pelo menos ouça a música e tente absorver algo"
Vitão, no Instagram.

E não há nada que justifique isso.

Ódio ou hate, chame estas palavras afiadas como quiser, são disparados contra o jovem de 22 anos como se ele tivesse um escudo invisível para se proteger.

Ter sucesso nas redes sociais, músicas com mais de 80 milhões de plays no Spotify, grana, media training e uma equipe ao lado não cria automaticamente uma bolha salvadora que impede esses ataques de atingirem dolorosamente no alvo.

Fazer arte é se expor um tanto. É deixar o nervo à mostra, queira ou não. E isso torna tudo mais dolorido e vulnerável.

Ninguém é capaz de se proteger de tamanha investida carregada de ódio. A toxicidade das redes ficou extremamente perigosa e precisa ser cuidada como crime. Não mais é piada, é ódio, mesmo.

O sucesso de Vitão incomoda tanto assim?

Figura mais popular deste novo R&B brasileiro, o sucesso dele ajuda a estabelecer o gênero que, historicamente, foi muito sazonal na música brasileira, com altos muito altos e baixos muito baixos.

E abre uma porta enorme para uma geração nova de artistas que, talentosos, fazem uso desse canto meio gospel para entoar amores quentes e gélidas noites solitárias. Posso listar uma porção de nomes desta cena que começam a chegar em um público cada vez mais numeroso.

Mesmo que você não gostasse da figura do Vitão, foi massa ter um artista deste novo R&B no Rock in Rio, sabe? Que em 2022 tenhamos mais pessoas além dele, inclusive.

Goste ou não do som dele, Vitão não merece o que fazem com ele na web. Ninguém merece, aliás.

Uma regrinha básica deveria ser adotada: se você não tem coragem de falar algo na cara da pessoa, esse conteúdo também não serve para ser postado na internet. Sacou?

E, no fim dia, sempre penso nisso: mais de 60 mil músicas são publicadas a cada 24 horas no Spotify. Não dá para justificar os ataques e o hate por falta opção, certo?

Você pode reclamar comigo aqui, no Instagram (@poantunes) ou no Twitter (também @poantunes).