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Pedro Antunes

Terno Rei decreta o fim da era do medo. O que aprisiona você?

Terno Rei inaugura o fim da era do medo?  - César Ovalle / Divulgação | Montagem: Pedro Antunes
Terno Rei inaugura o fim da era do medo? Imagem: César Ovalle / Divulgação | Montagem: Pedro Antunes
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Pedro Antunes

Pedro Antunes, ou "Pô Antunes" pra quem só me conhece pelo Instagram, é jornalista, apresentador, curador e crítico de música e cultura pop desde 2010. Escreveu no Jornal da Tarde, Estadão e foi editor-chefe da Rolling Stone Brasil. Fez mais entrevistas do se lembra, tem um "novo disco favorito" por semana e faz mini-análises de álbuns no programa Tem um Gato na Minha Vitrola, no perfil @poantunes.

Colunista do UOL

27/07/2021 10h26

Sem tempo?

  • Conheça o clipe de Medo, da banda Terno Rei.
  • O vídeo faz um convite ao salto para o desconhecido, para se livrar das amarras criadas pelo medo.
  • Em 2019, quando soltou o terceiro álbum, o grupo estava diante do salto. Poderiam ficar como estavam ou tentar voar.
  • E voaram bonito com o disco Violeta, que elevou o grupo paulistano de patamar.
  • E você? Qual medo te aprisiona?

Os vocais agudos desbravadores nos dão coragem:

"Quem não tem mais medo sou eu"

A voz de Ale Sater, em "Medo", uma das melhores faixas do ótimo álbum "Violeta", vem acompanhada de uma guitarra dedilhada límpida e cristalina.

Depois de dois discos e algum espaço na cena indie, o Terno Rei se expandiu com "Violeta" (lançado pelo selo paulistano Balaclava Records).

O terceiro álbum do Terno Rei, a banda paulistana mais descolada da cidade, foi um estrondo em 2019. Quando saiu, caiu no gosto de uma juventude inquieta e disposta a se deixar tocar pelas camadas afetuosas de guitarras, letras curtas e metafóricas como pílulas de dissabores urbanos, e pela melancolia de sintetizadores oitentistas.

Abriram a cabeça, os Terno Rei. Vi shows "em casa", em São Paulo, mas também vi uma rapaziada disputar espaço na grade em eventos fora da cidade, como no festival Bananada, em Goiânia.

Mas o assunto é "Medo", possivelmente a faixa mais corajosa do grupo. Posicionada no final de "Violeta" (é a penúltima música do disco), "Medo" soa como uma despedida do eu-anterior.

Sabe aquela brincadeira de dizer que "tal coisa é problema para o meu eu do futuro" para justificar alguma atitude que gerará algum arrependimento em breve, mas causará prazer instantâneo?

O que o Terno Rei propõe em "Medo" é se jogar no "eu do futuro".

Curioso porque, dois anos depois do lançamento da faixa chega o clipe de "Medo", estamos neste futuro em que o medo, realmente, não é mais uma opção.

Não dá para ficar congelado naqueles segundos antes do salto, do mergulho para o desconhecido. Qual medo aprisiona você neste instante?

Atrás de nós, resta a escuridão gélida do medo, paralisadora. Com pandemia, negacionismo e escândalos políticos seguidos, voar é necessário.

Fazer algo que, por mais amedrontador que possa parecer, transforme a ti e aqueles ao seu redor, é a melhor opção nesse cenário, não é?

Na madrugada de hoje (terça, dia 27 de julho) foi lançado o clipe de "Medo", uma superprodução assinada pelo duo Vira-Lata (formado por Giordano Maestrelli e Duran Sodré) e produção da The Youth.

Curioso como o clipe bateu com o que sentia em "Medo" e o tal "mergulho para o eu do futuro". No vídeo, os três protagonistas (Matheus Henrique, Laremi Paixão e Ailén Scandurra) se encontram presos dentro de si e vivem uma jornada imagética e poética de libertação em cenas gravadas em locações inacreditavelmente lindas do Paraná (Ilha do Mel, Cânion Guartelá e região metropolitana de Curitiba).

O Terno Rei, antes de "Violeta", sentiu que ou mudava ou congelaria de medo. Saltaram o voo dos mais bonitos. Faça você o mesmo, também.