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Pedro Antunes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Juliette emociona Gil e prova que conto de fadas existe. E é brasileiro

Como não se emocionar com Gilberto Gil e Juliette juntos?  - Montagem de Pedro Antunes em Reprodução / Instagram
Como não se emocionar com Gilberto Gil e Juliette juntos? Imagem: Montagem de Pedro Antunes em Reprodução / Instagram
Pedro Antunes

Pedro Antunes, ou "Pô Antunes" pra quem só me conhece pelo Instagram, é jornalista, apresentador, curador e crítico de música e cultura pop desde 2010. Escreveu no Jornal da Tarde, Estadão e foi editor-chefe da Rolling Stone Brasil. Fez mais entrevistas do se lembra, tem um "novo disco favorito" por semana e faz mini-análises de álbuns no programa Tem um Gato na Minha Vitrola, no perfil @poantunes.

Colunista do UOL

14/06/2021 07h18

Sem tempo?

  • Maquiadora e advogada, Juliette foi escanteada durante o BBB 21, mas viu sua vida se transformar.
  • Vencedora do reality, hoje é maior estrela brasileira no Instagram. Todos a querem.
  • No domingo, ela participou do Arraial de Gilberto Gil, exibido no Globoplay, para celebrar o dia de Santo Antônio.
  • E, ao cantar três músicas com o mestre, fez Gil até chorar.
  • Como não se emocionar com esta jornada, não é?
  • Juliette é a prova de que os contos de fadas existem. E são brasileiros

Talvez tenha sido a lembrança do forró dançando bem grudadinho, dos pés rápidos que levantam a poeira do centro da praça durante a festa de São João. Ou fosse a emoção transbordante de Juliette Freire à sua frente.

O fato é que Gilberto Gil chorou.

A instituição da música brasileira viu os olhos encherem d'água após apresentar "Asa Branca", hino de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, ao lado da campeã do Big Brother Brasil 2021.

"Maravilha é ter você aqui, você que cresceu com estas festas tão maravilhosas", disse Gil antes de engasgar com a emoção que subia à garganta.

"É a nossa alma dançando forró. Nossa história, nossa alma, nosso sangue, nossa vida", responde Juliette.

Afinando o violão, Gil aceitou o atropelo da emoção. "Deixa chorar", disse.

Tarde de domingo, 13 de junho. Dia de Santo Antônio. No Globoplay, Gilberto Gil fazia seu Arraial. É o segundo ano seguido que o coronavírus nos priva da alegria das festas de junho.

Acompanhado por uma banda formada por familiares e parceiros de estrada, Gilberto Gil transformou em calor a frieza do estúdio.

Que delícia de live, quente como um quentão fumegado goela abaixo.

As lágrimas de Gil caíram como se sentissem os versos que estavam por vir, de "Estrela" (do álbum "Quanta"), mais uma vez cantados com Juliette ao lado.

"O contrário também
Bem que pode acontecer
De uma estrela brilhar
Quando a lágrima cair
Ou então
De uma estrela cadente se jogar
Só pra ver
A flor do seu sorriso se abrir"

Juntos, Juliette e Gil ainda fizeram uma versão de "Esperando na Janela" (de Targino Gondim, Raimundinho do Acordeon e Manuca Almeida), antes dela se despedir pela primeira vez.

Chamou-o de padrinho, inclusive, em um ato de amor e devoção.

Quando voltou para cantar mais uma vez "Esperando na Janela" e mais solta, dançou com Gil. Errou com Gil. Sorriu com Gil.

Juliette é o conto de fadas brasileiro. A maquiadora e advogada que, injustiçada durante o confinamento o BBB 21, tantas vezes escanteada, tornou-se a vencedora do reality show. Mas mais do que ganhar aquele R$ 1,5 milhão, virou um cometa. É tudo puro suco de Brasil.

Entre tantos convites para cantar profissionalmente, principalmente depois de soltar a voz no programa da Globo com elegância ímpar, decidiu não cair na vala e no comum, fazer featzinho com artista da estação.

Juliette saltou para o voo mais alto. Cantou com Gilberto Gil, o maior de todos.

E se ele, nossa maior instituição, se desmonta em emoção, nesta mistura agridoce de saudade e fé, como não chorar também?

A história dela é de uma pessoa em mais 200 milhões, eu sei, mas inspira e emociona.

E isso tem nome: esperança.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL