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Pedro Antunes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Dizer no BBB 21 que gosta do Bolsonaro vale o R$ 1,5 milhão, Sarah?

Sarah  - Reprodução/Globoplay
Sarah Imagem: Reprodução/Globoplay
Pedro Antunes

Pedro Antunes, ou "Pô Antunes" pra quem só me conhece pelo Instagram, é jornalista, apresentador, curador e crítico de música e cultura pop desde 2010. Escreveu no Jornal da Tarde, Estadão e foi editor-chefe da Rolling Stone Brasil. Fez mais entrevistas do se lembra, tem um "novo disco favorito" por semana e faz mini-análises de álbuns no programa Tem um Gato na Minha Vitrola, no perfil @poantunes.

Colunista do UOL

06/03/2021 21h29

Não faz nem tanto tempo assim e lá estava ela, Sarah, a espiã então favorita da turma do Twitter, em uma conversa com Fiuk, Lumena, Camilla e Thaís. Naquele papo, no dia 1º de março, ela dizia saber que não poderia seguir Jair Bolsonaro nas redes sociais porque isso prejudicaria a imagem dela no BBB 21.

Ela entendia que boa parte daqueles que votam nos paredões do reality dos são opostos às ideias conservadoras, violentas e problemáticas do presidente.

Como documentado pelo UOL TV e Famosos, a história foi assim.

"Uma menina, eles acharam o Instagram dela e cancelaram a menina porque ela seguia o Bolsonaro. Ela não entrou", disse a Thaís.

E Sarah respondeu:

"Tanto aconteceu isso, que eu seguia ele e parei de seguir. Não vou mentir. Eu gostava de ver o que era postado. Aí, eu vi e: 'Ui! Vou parar de seguir."

A história acima só está aqui para mostrar quanto é incompreensível a atual onda de cancelamento de Sarah a partir dos comentários feitos pela especialista em marketing digital na madrugada de sexta-feira (5).

Foi quando rolou isso aqui:

O erro de Sarah já estava cometido, mas a primeira conversa parece ter sido "abafada", ou sei lá, de modo que a história não cresceu o suficiente.

Claro, no segundo papo (do tuíte acima), Sarah deixou a preferência política escancarada.

E que timing terrível! Naquele dia o Brasil tinha mais de 1,8 mil mortes por covid-19 e o inominável dizia se tratar de "mimimi" - quem não se revoltou com isso é conivente com esse caos diante da pandemia, inclusive.

Não me venham com esse choque só agora, ok?

Parece-me estranho, contudo, que só agora as coisas tenham se intensificado. Sarah já mostrava uma aproximação com Caio e Rodolffo, simpatizantes de Bolsonaro, e afirmava estar próxima de Gil e Juliette por conta de estratégia de jogo, não necessariamente de afinidade.

A ninja é uma estudiosa do BBB - e tudo precisa ser visto a partir deste filtro. Juliette e Gil representam, dentro da casa, os personagens mais identificáveis pela parte mais progressista da população - e, principalmente, os anti-bolsonaristas.

Sarah havia escrito uma monografia em 2012 para se formar no curso de marketing digital em Brasília sobre o Big Brother Brasil. Especialista, em criar uma boa imagem digital, afundou a própria por esquecer do lema desse BBB 21: "o Brasil tá vendo".

Não contente em cometer o deslize uma vez, ela o repetiu. E foi parar até na edição exibida pela TV ontem - em uma jogada genial da Globo de esquentar um pouco as coisas e evitar o enorme favoritismo que Sarah havia conquistado, como bem escreveu Mauricio Stycer.

O vacilo de Sarah talvez seja o maior já cometido por um jogador favorito na história do BBB. Dizer que gosta do Bolsonaro vale o R$ 1,5 milhão do prêmio que ela já perdeu?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL