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Pedro Antunes

O glamour do Superjúri do Prêmio Multishow: chazinho, dor nas costas e mico

Palco do Superjúri do Prêmio Multishow, com jurados virtuais e o apresentador Guilherme Guedes - Gianne Carvalho / Multishow
Palco do Superjúri do Prêmio Multishow, com jurados virtuais e o apresentador Guilherme Guedes Imagem: Gianne Carvalho / Multishow
Pedro Antunes

Pedro Antunes, ou "Pô Antunes" pra quem só me conhece pelo Instagram, é jornalista, apresentador, curador e crítico de música e cultura pop desde 2010. Escreveu no Jornal da Tarde, Estadão e foi editor-chefe da Rolling Stone Brasil. Fez mais entrevistas do se lembra, tem um "novo disco favorito" por semana e faz mini-análises de álbuns no programa Tem um Gato na Minha Vitrola, no perfil @poantunes.

Colunista do UOL

11/11/2020 16h53

Sem tempo?

  • Hoje (11) vai ao ar o Prêmio Multishow 2020
  • Três categorias desse prêmio são decididas por um grupo de jurados chamado Superjúri
  • Antes da transmissão do Prêmio Multishow, o Superjúri debate sobre os indicados no canal BIS, às 20h
  • Aqui, eu conto como foi a experiência pouco glamourosa, mas divertidíssima, de ser um "superjurado"

"PEDRO!!!!!"

A notificação deste grito virtual escrito assim, com letras maiúsculas e cinco pontos de exclamação, pulou na tela e me deu um novo susto. A autora do berro digital à distância (apesar de sermos quase vizinhos aqui no centro de São Paulo) era Liv Brandão, a editora do UOL Splash.

Ela tinha razão. Afinal, lá estava eu, distraidamente, tirando com os dentes aquela pelezinha que às vezes solta do lado da unha (sabe?), quando fui colocado em evidência na gravação Prêmio Multishow. Perdi o fôlego, o fio da meada, sorri desengonçadamente.

"EM REDE NACIONAL", escreveu Liv, de novo, novamente em letras maiúsculas, pelo Web.WhatsApp.

"Espero que cortem isso da edição final", pensei - e sigo torcendo, aliás. "Paga um mico aí?", pedi para Liv por essa ajuda, em vão.

Afinal, ela, assim como os outros jurados escolhidos para decidir e votar em três categorias do Prêmio Multishow, arrasou no debate, nas ideias e falas.

Hoje (11), às 20h, o canal BIS vai exibir o programa apresentado pelo sempre ótimo Guilherme Guedes com o debate do Superjúri para a votação de três das muitas categorias do Prêmio Multishow (exibido logo depois, às 21h15, no Multishow).

Pela primeira vez, fui convidado para participar desse Superjúri, até arrepiei quando me vi incluído no grupo de WhatsApp de nome "Superjurades 2020", no qual me vi em meio a um monte de gente interessante do mercado da música, de jornalistas a produtores, DJs, curadores.

Uau.

Saquem só quem está no Superjúri deste ano:

  • Bárbara Portela - Publicitária
  • Carol Morena - produtora cultural e Festival Radioca
  • Fabricio Nobre - Bananada / Cine Joia
  • Guilherme Araujo - Jornalista do Papelpop
  • Liv Brandão - editora do UOL Splash
  • Mário Caldato Jr. - Produtor musical
  • Michelly Mury - coordenadora artística da Alfazema / Casa Natura Musical / Festival TOCA
  • Nepal - DJ e produtor musical
  • Paola Wescher - Sócia fundadora da Popload
  • Pedro Antunes - eu, mesmo, colunista do UOL Splash, criador de conteúdo digital no Instagram, etc, etc, etc (o resto tá na minha bio aqui na coluna)

Abaixo, outra foto nossa, com mais detalhes:

Superjúri do Prêmio Multishow em 2020 - Divulgação - Divulgação
Superjúri do Prêmio Multishow 2020
Imagem: Divulgação

Nós, os dez superjurades, tivemos a missão de escolher o vencedor em três das categorias mais importantes do Prêmio Multishow (a segunda mais importante premiação da música, já que a primeira, por diferentes motivos, é a WME Awards, como escrevi hoje cedo).

São essas as categorias votadas pelo Superjúri:

CANÇÃO DO ANO

  • Amor de Que - Pabllo Vittar
  • Braile - Rico Dalasam e Dinho
  • Vem Me Satisfazer - MC Ingryd e DJ Henrique da VK

ÁLBUM DO ANO

  • AmarElo - Emicida
  • Ana Frango Elétrico - Little Electric Chicken Heart
  • Rastilho - Kiko Dinucci

REVELAÇÃO DO ANO

  • Ana Frango Elétrico
  • Jup do Bairro
  • Rosa Neon

Segredo mal guardado

Desde 15 de outubro estamos nos falando neste grupo para acertar os detalhes, mas estamos guardando esse "segredo" da participação desde meados de setembro, na verdade.

"Guardando"? Bom, mais ou menos. Eu, mesmo, não sabia que era algo secreto e falei sobre isso nos stories do Instagram. Sou péssimo em grupos de WhatsApp e devo ter perdido esse aviso.

Para ser um superjurado você não deve só manjar de música brasileira em toda a sua pluralidade. Também precisa conseguir participar de reuniões e ensaios para que a transmissão ocorra sem erros e com o mínimo de caos técnico.

Essa foi a primeira vez em que o debate do Superjúri ocorreu virtualmente. Tempos loucos. Sonhava em integrar esse júri e ir até o Rio de Janeiro para participar da gravação fisicamente, dar uma olhadinha na praia, tomar uma cerveja com pés na areia e pensar: "Uau, às vezes a vida é boa".

Debate virtual e organizado

Não rolou. Por sorte eu tenho um par de cadeiras de praia em casa (uma longa história) e pude usá-la para o ensaio que fizemos no dia anterior à gravação e no próprio dia, quando tudo estava valendo (e me pareceu ser uma boa ideia tirar a pelezinha do lado da unha do dedo justamente neste segundo dia).

Foram testes e mais testes. Surpreendentemente, mais difícil do que falar próprias ideias a respeito dos três indicados de cada categoria, era se manter centralizado na câmera para não ferrar com a edição final.

No formato que vocês assistirão no canal BIS, cada um de nós está dentro de uma moldura circular, exibidos em um telão. Quem estava fisicamente no estúdio era o Guilherme Guedes, que ficou com a função de organizar também a hora que cada jurade falaria.

Não sei se você fez muitas reuniões por aplicativos como Meets, Zoom ou Teams durante essa quarentena. Se o fez, sabe que para tudo virar uma balbúrdia de gente falando e o áudio ficar terrível é fácil, né? Nós usamos o Teams.

Portanto, na hora do ensaio, alguém (possivelmente, um dos diretores da atração, Rei Ramsés) sugeriu que cada um que quisesse tomar a palavra para si deveria fazer um assento em silêncio e o apresentador daria a palavra assim que possível.

Então, se você notar alguns de nós pessoas levantando as mãos, é por isso. Tentei disfarçar meus pedidos, mas talvez só tenha aparecido na tela fazendo movimentos estranhos com uma das mãos. Paciência.

De qualquer forma, é um formato que ajudou quem é mais tímido e nem sempre consegue pedir a palavra falando mais alto que os outros. Ali, todo mundo teve chance de expor as ideias.

A 'cartilha de gravação'

Recebemos um documento em PDF com instruções para ser um superjurade chamado "cartilha de gravação",

Ali, dicas e pedidos para que a transmissão ocorresse sem erros. Itens básicos, como computador, notebook, tablet ou smartphone com câmera eram um item obrigatório. "Recomendado fazer um teste de conexão da internet", dizia o documento. Era necessária uma conexão com velocidade mínima de 60 Mb de download e 5 Mg de upload.

"Luz é fundamental", dizia a cartilha. A gravação pegaria o fim de tarde, então era importante ter uma luz artificial boa o suficiente para que a imagem não ficasse granulada e escura.

Pediam também para que montássemos um cenário bonitinho e vários dos colegas jurados tinham fundos belíssimos. Eu, mesmo, usei uma parede branca e tentei ficar com o rosto na frente do interruptor que aparecia de fundo.

Outras curiosidades eram sobre os figurinos. A produção não recomendava que usássemos blusas brancas, listradas ou com marcas expostas.

Deveriam ter sugerido mais duas coisas: usem assentos confortáveis, a bunda de vocês vai agradecer ao final das quatro horas de gravação; e não beba tanto líquido, ou você vai ter um problema lá pela hora final.

Quatro horas de gravação

No dia 29 de outubro, ensaiamos e descobrimos como ficariam nossos rostos no telão e como seria a dinâmica de fala de cada um. Gravamos, mesmo, no dia 30, uma sexta-feira.

Antes da nossa parte, contudo, assistimos à gravação do Black Alien, que tocou ali, ao vivo, faixas do álbum "Abaixo de Zero: Hello Hell", eleito o disco do ano pelo Superjúri do ano passado.

Sim, tivemos uma "live" exclusiva do Black Alien enquanto esperávamos a nossa vez. Isso foi massa.

A transmissão final vai revezar trechos com o rapper e das nossas falas sobre os indicados deste ano. O programa total tem 1 hora e 15 minutos de duração.

O dia da gravação

Às 16h, lá estava eu no meu fundo sem fundo (havia acabado de mudar de apartamento, então tudo estava revirado, a internet era terrivelmente instável), com a minha cadeira de praia completamente desconfortável para longas sentadas e um litro de chazinho de hibisco ao lado.

Foram algumas emoções. Liv Brandão, sobre quem escrevi na abertura desse texto, mandou mensagem dizendo que atrasaria porque havia ficado presa no elevador, já DJ Nepal animava o grupo mostrando as possibilidades de máscaras que gostaria de usar para a gravação.

Precisei deixar a Torrada, minha cachorrinha vira-lata, fechada na cozinha porque historicamente ela adora despertar por volta das 18h, correr atrás dos gatos e pular na minha cabeça nas lives que faço no Instagram.

Os felinos, por sua vez, ficaram soltos. O que foi arriscado e espero, realmente, que nenhum miado alto do meu gato branco Bowie tenha vazado na transmissão.

Ao longo de quatro horas ficamos ali, cada um na própria casa ou escritório, para a gravação.

Votamos nas três categorias por meio de um formulário do Google. Você vai perceber, na transmissão, que pegamos nossos celulares na hora. No ensaio, "votamos" na frase mais marcante da quarentena. Escolhi o berro de de Cardi B ao dizer "coronaviiiiiirus", se não me engano.

Quer um spoiler de quem vai ganhar nas categorias de revelação, disco do ano e música do ano?

Mais um pouco de suspense...

Eu também não sei. Contabilizaram os votos, mas não contaram para a gente até agora.

E, como não tenho TV a cabo em casa, vou precisar descobrir pelo Twitter quem ganhou em cada uma das categorias.

Um lado bom disso é não assistir ao meu próprio susto ao me ver na tela comendo a pele do lado da unha do dedo ou o meu nervosismo para poder terminar tudo e ir ao banheiro fazer xixi (foi um litro de chá, afinal)

Zero glamour. Mas a vida é boa mesmo assim. Pude até usar o "bom dia, boa tarde ou boa noite" que repito no Instagram, como uma espécie de easter egg para quem me acompanha por lá.

Depois me contem.