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REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Lino Arruda e a autoimagem de pessoas trans

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Rodrigo Casarin é jornalista e especialista em Jornalismo Literário. Escrevendo sobre livros, já colaborou com veículos como Valor Econômico, Aventuras na História, Carta Capital, Revista Continente, Suplemento Literário Pernambuco, Jornal Rascunho e Cândido. Integrou o júri do Oceanos ? Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa em 2018, 2019 e 2020 e o júri do Prêmio Jabuti em 2019, na categoria Biografia, Documentário e Reportagem. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Colunista do UOL

24/09/2021 04h00

Na 96ª edição do podcast da Página Cinco:

- Papo com Lino Arruda, autor de "Monstrans - Experimentando Horrormônios" (Rumos).

- A 7ª edição da Puñado.

- A 2ª edição do Viver de Escrever.

- "Palavras Interrompidas", de Marcos DeBrito (Faro), e "Culpa", de Caco Ishak, nos lançamentos.

Alguns destaques do papo com Lino:

Monstros

Acabei encontrando uma figura muito recorrente nas representações desses grupos: a do monstro. Diferentes monstros. King Kong, sereia, vários animais híbridos. Eu acabei também começando a me aventurar a criar uma autorepresentação de algumas dessas histórias centrando a figura do monstro.

Fidelidade

No processo de roteirização, a última HQ, em que narro o encontro com o meu avô, aconteceu exatamente assim. Foi um roteiro que a vida me deu. Só fui lá e desenhei. E, claro, brinquei com algumas palavras, troquei algumas sequências de lugar. Minha maior intrusão nessa história foi editá-la, saber onde parar.

Reelaborar a própria história

Quando fazemos esse movimento de autobiografia, de memória, temos que encarar uma série de momentos, recordações, que acaba sendo uma oportunidade de também reelaborar, refazer essas histórias.

Deficiência física

A ideia da deficiência é o encontro com as pessoas não deficientes. Aí que se cria a deficiência. Aí que você vai tendo que lidar consigo a partir do olhar do outro. Quando criança, não entendia que existia propriamente um problema no meu corpo. Quis colocar realmente essa dificuldade como vindo muito de fora, dessa natureza mais autoritária.

Conflito

O personagem em si não tem esse conflito preexistente, ele vai encontrando isso ao longo da história.

Debilidades em habilidades

Transformar as suas debilidades em habilidades? As pessoas deficientes são extremamente criativas. Elas elaboram vários percursos, várias possibilidades, para conseguir executar suas funções. Acho que é isso que essa frase diz. Pensando no Garrincha: ele foi um jogador fora do comum justamente porque tinha uma condição semelhante à minha.

O contínuo

Fica essa confusão na HQ para fazer essa interrogação: quem sou eu? Como transicionar faz com que você perca até sua história, seu passado. As pessoas trans também foram crianças. Como fazer pontes entre esses momentos opostos da vida e que são apresentados de forma abrupta. "Agora você é homem", como se nunca tivesse tido pontes mesmo, com um contínuo. É entender o corpo e a vivência como um contínuo.

O podcast do Página Cinco está disponível no Spotify, na Apple Podcasts, no Deezer, no SoundCloud e no Youtube.

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