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REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

O que pode a literatura? Papo com Carola Saavedra

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Rodrigo Casarin é jornalista e especialista em Jornalismo Literário. Escrevendo sobre livros, já colaborou com veículos como Valor Econômico, Aventuras na História, Carta Capital, Revista Continente, Suplemento Literário Pernambuco, Jornal Rascunho e Cândido. Integrou o júri do Oceanos ? Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa em 2018, 2019 e 2020 e o júri do Prêmio Jabuti em 2019, na categoria Biografia, Documentário e Reportagem. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Colunista do UOL

03/09/2021 10h33

Na 93ª edição do podcast da Página Cinco:

- Papo com Carola Saavedra, que acaba de lançar "O Mundo Desdobrável - Ensaios Para Depois do Fim" (Relicário).

- Os semifinalistas do Oceanos 2021.

Alguns destaques do papo com Carola:

Literatura

O que guia o livro do início ao final é essa a questão: o que pode a literatura? E daí eu me pergunto também: o que é a literatura ou o que pode ser a literatura? São os dois eixos principais do livro.

Perguntas

Quando falo numa literatura, estou incluindo tudo, praticamente: música, outras formas de expressão, a literatura oral. Não estou tornando a pergunta mais fácil. Na realidade, a grande questão não é encontrar uma resposta única, mas se aproximar das melhores perguntas, da melhor forma de perguntar aquilo.

Não saber

A gente tem duas dificuldades muito grandes no nosso tempo: suportar a contradição e suportar o não saber. Às vezes a gente precisa suportar que ainda não sabe, que a gente ainda não tem uma resposta, uma certeza, que essa resposta ainda pode surgir.

Descobertas

Humildemente, como escritor, a gente se dá conta de que controla um certo aspecto, que é a técnica, um âmbito do consciente, claro, mas há uma instância que escapa. Escapa pelas frestas. Porque a palavra se desdobra.

Zeitgeist

E a nossa herança africana? E nossa herança indígena? E o ser mulher? E o que é ser ali na periferia? Tudo isso começar a vir e a a gente começa a se perguntar. Eu começo a me perguntar... Todos os artistas, intelectuais, jornalistas, estão se fazendo essas perguntas. Ou deveriam.

Herança de violência

Os grandes mitos ruíram: da democracia racial e do brasileiro cordial. E temos que lidar que somos parte de uma história violentíssima, e essa violência é a nossa herança. O Brasil se constrói a partir de um genocídio indígena e de um genocídio afro-brasileiro. A América se constrói a partir de um genocídio. E o que a gente faz com isso?

Identidade

Não há um verdadeiro eu. O que há são instâncias.

Arte

Vejo a arte como uma duplicação da vida. Como algo que permeia a nossa vida e que, na minha opinião, deveria ser para todos. A arte, a literatura, deveria permear a vida de todo mundo.

Eu?

Quando a gente escreve, todos aqueles que vieram antes escrevem através da gente. Os livros que a gente leu estão ali. Há tantas coisas que têm ali que a gente não faz ideia. A gente vive essa ideia exacerbada do eu, do autor, mas, ao mesmo tempo, me parece que esse eu como imaginamos não existe. A gente é um fluxo de ideias que circulam pela gente, a gente está numa transformação constante. E é assustador, porque a gente se apega a esse eu no sentido ocidental.

A foto de Carola usada na arte do episódio foi feita por Camilla Loreta.

O podcast do Página Cinco está disponível no Spotify, na Apple Podcasts, no Deezer, no SoundCloud e no Youtube.

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