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REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

O fascínio de Antonio Fagundes pelos livros e pela leitura

Página Cinco

Rodrigo Casarin é jornalista e especialista em Jornalismo Literário. Escrevendo sobre livros, já colaborou com veículos como Valor Econômico, Aventuras na História, Carta Capital, Revista Continente, Suplemento Literário Pernambuco, Jornal Rascunho e Cândido. Integrou o júri do Oceanos ? Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa em 2018, 2019 e 2020 e o júri do Prêmio Jabuti em 2019, na categoria Biografia, Documentário e Reportagem. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Colunista do UOL

25/06/2021 07h00

Na 85ª edição do podcast da Página Cinco:

- Entrevista com Antonio Fagundes, autor de "Tem Um Livro Aqui Que Você Vai Gostar" (Sextante).

- A Antologia Poética do Literatura BR.

- Diogo Monteiro e Fábio Horácio-Castro, os vencedores do Prêmio Sesc.

- "Eu, Que Não Amo Ninguém", de Franklin Carvalho (Reformatório), no lançamento.

Alguns destaques da entrevista:

A leitura

A leitura te move completamente. Você muda de sexo, muda de cor. Vai para o futuro, vai para o passado. Você voa, vai para o fundo do mar. A leitura te coloca na pele de outro de forma tão simples, tão bonita, tão delicada, que não tem por que não gostar. Ao mesmo tempo, lembro sempre de uma matéria que li do Alberto Manguel que era: como a gente vende essa ideia? Porque a leitura não é natural. Implica numa disposição, numa disponibilidade. Então, é muito difícil vender a ideia da leitura para quem ainda não começou.

Prazer

Essa foi uma das minhas vontades mais perseguidas com a publicação do livro: a leitura não tem que ser obrigatória. Busque uma leitura que te dê prazer, que te envolva. O prazer deve ser descoberto independente de qualquer cânone. Faço questão de não dizer "leia esse tipo de livro".

Desligue o celular

As pessoas perguntam: como eu faço, não tenho concentração, durmo na terceira página... Uma das coisas que sugiro é essa: criar um ambiente favorável, se preparar para isso. Diferente de assistir a um filme ou jogar um videogame. Desligar o celular, pelo amor de deus, é a primeira coisa que precisa fazer.

Melhorias ao longo da história

A gente melhorou. A gente melhorou bastante. Tem melhora científica, melhora social, melhor distribuição de renda. Enfrentamento ao racismo, machismo e patriarcado, que demoramos séculos para perceber mas estamos começando. Temos que ver também com um pouco de otimismo. Se ficarmos só nas coisas ruins, deixaremos passar as coisas boas.

Biblioteca

Minha biblioteca é muito, muito, muito grande. Costumo brincar que gosto de ter minha biblioteca porque ela me dá a medida da minha ignorância. Eu olho e vejo: não li aquilo ali, não li aquilo ali...

Interesses sem fim

É uma palavra que uso muito no meu livro: interesse. Interessante é a palavra máxima. Quer dizer que me despertou interesse, que fiquei querendo saber mais sobre aquilo. E eu tenho muitos interesses, que estão sendo multiplicados a cada vez que leio um livro, que vejo um autor citando outro. Não tem fim isso. É uma coisa fabulosa.

Literatura brasileira

Temos aí uma literatura brasileira muito rica, muito atuante e muito forte. Espalhada por diversos gêneros, sem preconceitos e sem pudores. Autores jovens que a gente sabe que irão seguir uma carreira muito bonita.

Poesia

A poesia deve ser como uma pescaria. Pesquei poucas vezes na minha vida, mas entendi que precisa ter paciência. Eu separo um livro de poesia e vou lendo ao longo da semana. Pego dois ou três poemas por dia e me detenho nesses poemas. De repente, aquele poema que não diz nada para ninguém diz muito para você. Tem uma forma de se aproximar da poesia que é muito pessoal.

Videogame e leitura

O que percebi que aconteceu comigo foi que me dediquei muito ao videogame principalmente no começo e fiquei um pouco desligado quando quis retomar minha leitura. Passava horas na primeira página sem conseguir me concentrar. É um outro tipo de concentração, de foco, que o game exige de você. Enquanto não tivermos a capacidade de separar no cérebro esses dois tipos de foco, um vai interferir no outro. E não gostaria de ver minha paixão pela leitura prejudicada por causa do videogame.

Bug em The Last of Us II

Aconteceu uma coisa horrível comigo no The Last of Us. Acho que meu jogo deu defeito. Não consigo sair de um buraco. É um defeito de imagem mesmo, ficou tudo branco. Só vejo meu personagem andando, não sei para onde. Vou precisar comprar outro para terminar. Em todo caso, tenho jogado com muita parcimônia para não perder meu foco de leitura.

A foto de Antonio Fagundes foi tirada por João Cotta.

O podcast do Página Cinco está disponível no Spotify, na Apple Podcasts, no Deezer, no SoundCloud e no Youtube.

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