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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Por que seguimos fascinados pelas pinturas de Van Gogh?

Página Cinco

Rodrigo Casarin é jornalista e especialista em Jornalismo Literário. Escrevendo sobre livros, já colaborou com veículos como Valor Econômico, Aventuras na História, Carta Capital, Revista Continente, Suplemento Literário Pernambuco, Jornal Rascunho e Cândido. Integrou o júri do Oceanos ? Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa em 2018, 2019 e 2020 e o júri do Prêmio Jabuti em 2019, na categoria Biografia, Documentário e Reportagem. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Colunista do UOL

05/03/2021 09h01

Na 69ª edição do podcast da Página Cinco:

- Entrevista com Rodrigo Naves, que acaba de lançar "Van Gogh - A Salvação Pela Pintura" (Todavia).

- A doutora Carolina Maria de Jesus.

- A força do Instagram na divulgação da leitura segundo a pesquisa "O Brasil que Lê".

- "Copo Vazio", de Natalia Timerman (Todavia), "Jazz Band na Sala da Gente", de Alexandre Staut (Folhas de Relva), e "A Última Noite das Bicicletas", de Rodrigo Breunig, nos lançamentos.

Vejam alguns destaques da entrevista com a Rodrigo Naves:

Figura x matéria

O que também acho decisivo na pintura do Van Gogh é o fato de ele usar essa camada espessa de tinta. E o que ocorre quando ele pinta uma espiga, por exemplo? A pincelada é tão espessa que ela é simultaneamente a tentativa de figurar a espiga de milho e também uma espécie de matéria amarela. Essa tensão entre figuração e presença, acho muito semelhante ao transe de uma pessoa que não consegue respirar. Uma experiência no sentido mais profundo do termo. Uma série de artistas contemporâneos tocam em questões como essa.

As cores

[Camille] Pissarro, que era anarquista, passa dois verões ao norte da França e introduz o Van Gogh na questão das cores, nessa maneira inovadora, para a época, dos impressionistas pintarem. Não há mais as pinceladas contínuas. Elas são justapostas, esgarçadas. Com isso, algo da solidez ou da identidade do mundo consigo mesmo se rompe.

Obrigado, Pissarro

O Pissarro foi o responsável, nada mais nada menos, pelas mudanças do Cézanne e também pelas mudanças da pintura do Gauguin. Possivelmente, se não houvesse o Pissarro, não haveria o Van Gogh, o Cézanne e o Gauguin. Pissarro é decisivo.

Dimensão trágica

A mudança que o Van Gogh vai introduzir nas questões impressionistas é que esse uso mais massudo, empastado e dúbio, que ao mesmo tempo tenta figurar e não ocultar que aquilo é uma matéria, o leva a introduzir uma dimensão trágica independentemente do fato de a vida dele ser trágica ou não.

Mito x vida

As pesquisas avançaram muito. Pesquisadores chegaram à conclusão que quem teria cortado um pedaço da orelha dele teria sido o Gauguin, não o próprio Van Gogh. Há provas de que ele não se suicidou. Embora certamente ele tivesse problemas psíquicos graves.

Ideário calvinista

Me parece que algo dessa coisa inacabável que há no trabalho de Van Gogh tem, no mínimo, um vínculo ou alguma influência desse ideário calvinista.

Visão preconcebida

Muitas vezes as pessoas antepõe à visão do Van Gogh toda essa biografia que é um pouco derivada do livro do Irving Stone ["Lust for Life"]. E se você antepõe esse lastro, a tendência é que encontre no Van Gogh apenas aquilo que você havia anteposto.

Experiência decisiva

Se não fosse o Van Gogh, uma experiência decisiva de nós, mulheres e homens, se perderia.

O podcast do Página Cinco está disponível no Spotify, na Apple Podcasts, no Deezer, no SoundCloud e no Youtube.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL