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Maradona, Gabo, Cervantes e suas obras mais sublimes

Diego - Arquivo
Diego Imagem: Arquivo
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Rodrigo Casarin é jornalista e especialista em Jornalismo Literário. Escrevendo sobre livros, já colaborou com veículos como Valor Econômico, Aventuras na História, Carta Capital, Revista Continente, Suplemento Literário Pernambuco, Jornal Rascunho e Cândido. Integrou o júri do Oceanos ? Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa em 2018, 2019 e 2020 e o júri do Prêmio Jabuti em 2019, na categoria Biografia, Documentário e Reportagem. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Colunista do UOL

26/11/2020 09h45

Desde que a indesejável notícia chegou, já nem sei mais quantas vezes revi Diego enfileirando ingleses para depois se eternizar. Quanto mais aprecio a cena, mais bonita fica. Mais brilhante fica. Mais encanto há. É o que acontece com obras magistrais.

Falar de Maradona sem lembrar da partida de 1986 seria o mesmo que escrever sobre Gabo ignorando "Cem Anos de Solidão" ou enaltecer Cervantes desprezando "Dom Quixote". Recordamos do gol com a mão divina, do gol deixando Johns no chão, porque recordamos de um momento singular da expressão humana.

Há quem despreze a capacidade do futebol nos embasbacar com o sublime. De nos fazer transcender. Paciência. Também há gente de alma bem pequena indiferente à literatura, ao cinema, à pintura… Sinto muito por essas pessoas.

Reconhecer a técnica de Diego Armando Maradona é pouco, muito pouco. Maradona tinha a magia, o incompreensível, o indizível. Carregava consigo o misterioso toque que faz algo deixar de ser um trabalho bem feito para alcançar outro patamar, se transformar numa outra coisa: uma arte arrebatadora.

Vejo pessoas discutindo quem foi melhor. Diego? Pelé? Messi? Esse papo flerta com a estupidez. O que importa mesmo é a capacidade de cada um deles encantar. De nos fazer admirar jogadas que beiram o inverossímil. O deleite - sempre subjetivo, sempre particular - que interessa. Deixemos números para lá, ocupemos nosso tempo com exaltações. A beleza não se explica com planilhas.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL