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Fã da natureza e editor de livros: um Thiê Rock que você não conhece

Thiê Rock - Reprodução.
Thiê Rock Imagem: Reprodução.
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Rodrigo Casarin é jornalista e especialista em Jornalismo Literário. Escrevendo sobre livros, já colaborou com veículos como Valor Econômico, Aventuras na História, Carta Capital, Revista Continente, Suplemento Literário Pernambuco, Jornal Rascunho e Cândido. Integrou o júri do Oceanos ? Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa em 2018, 2019 e 2020 e o júri do Prêmio Jabuti em 2019, na categoria Biografia, Documentário e Reportagem. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Colunista do UOL

29/10/2020 09h47

Após internautas resgataram um vídeo de 2015 no qual Thiê Rock convidava o público para um show de sua banda, a Lion Heart, que o roqueiro passou a ser uma figura em ascensão no mundo virtual. Quem gosta de passear pelo Twitter, com frequência encontra vídeos de fãs fazendo imitações de Thiê ou o próprio músico falando sobre seu trabalho e passando mensagens de incentivo aos seguidores. A positividade do artista chama a atenção, bem como o carisma e a desenvoltura na frente da câmera.

Thiê Rock é, no documento, Thiê Alves. Tem 39 anos, mora no Rio de Janeiro e, óbvio, leva uma vida que vai muito além das gravações de poucos minutos que publica na internet. Se as redes sociais lhe dão projeção, catapultam sua banda e ajudam a arrumar outros trabalhos, é no mercado editorial que Thiê garante a grana do dia a dia. Ele é uma das principais cabeças da Alta Books, onde, há dez anos, foi parar após passar por diversas atividades ligadas ao jornalismo, profissão na qual se formou.

"Estavam precisando de assistente editorial, me chamaram pra entrevista e acabei passando. Fui crescendo e estou lá até hoje", recorda o editor, que chegou no novo emprego sem saber muito bem como funcionaria o trabalho. "Mas eu avisei, fui honesto com eles", pondera no papo que batemos na última quinta-feira. Logo dominou a engrenagem. Hoje gerencia boa parte dos processos que envolvem a produção de um livro. Quando o original, normalmente em alguma língua que não o português, chega na mão de Thiê, cabe a ele pensar a edição brasileira: procurar por tradutor, copidesque, revisor, capista, ajudar a pensar o marketing?. "Passo o serviço pra cada um e vou coordenando o andamento".

Se não está na editora, nos palcos, na frente das câmeras ou dando atenção para suas dezenas de milhares de seguidores, Thiê curte passear pelo Rio de Janeiro. Mora em Copacabana, gosta de dar uma volta no calçadão e tomar água de coco vendo o mar. Visitar o Jardim Botânico e outros parques da cidade também é uma boa. "Ao mesmo tempo que sou muito urbano, gosto desse contato com a natureza. É uma válvula de escape para a correria do dia a dia". Fazer academia e tomar cerveja entram na lista de apreços do roqueiro.

Thiê ficou surpreso quando notou que pessoas estavam resgatando seus antigos vídeos. Aproveitou a deixa para se tornar mais ativo nas redes sociais e se aproximar do público - desde 2012 estava longe do Twitter, plataforma onde hoje tem 40 mil seguidores. Sobre a repercussão, as imitações e as eventuais críticas, diz que sentir vergonha nunca foi uma característica sua e que a leveza e o humor ajudam a lidar com as trocas nas redes. "Tem que ter muita fé e acreditar naquilo que você faz. Ter ciência do quanto ama e se diverte com aquilo. Da importância para a vida. Sempre tive isso na cabeça".

Apesar de reconhecer que nas gravações, para transmitir uma mensagem, é comum aumentar o tom que normalmente emprega numa conversa qualquer, Thiê garante que entrega ao público o que é. Diz que a pegada pra cima faz parte de sua personalidade. "Sempre procuro olhar pro copo meio cheio. Acho importante passar algo positivo". Na sua visão, a pandemia acentua essa necessidade:

"Num momento deste, em que muita gente está pra baixo, sem ver luz no fim do túnel, sem sair, sem viajar, vou jogar mais negatividade? Mais incerteza? Nesse cenário tão delicado, complicado, que o mundo está passando, ou faço diferença positiva ou prefiro não ter nenhuma incursão na vida das pessoas", diz. "Às vezes as pessoas precisam de um empurrão, de uma palavra bacana que não encontram nem na família, daí podem achar na internet. Se posso usar vídeos para bater nessa tecla, acho uma coisa legal", confia.

Na estrada com a Lion Heart desde 2002 (entre idas, vindas e reformulações) e tendo participado de propagandas para televisão e de programas da antiga MTV, ser uma figura midiática em contato com o público não chega a ser novidade para Thiê. E se a visibilidade na internet dá uma força para que mais pessoas conheçam seu trabalho artístico, como profissional do livro o editor também vem conseguindo encontrar um espaço para a música.

A Alta Books é conhecida por publicar a série "Para Leigos", versão brasileira da gigantesca coleção "For Dummies", composta por mais de 2500 títulos (cerca de 300 deles traduzidos para o português). Hoje, a editora também é a casa de "Pai Rico, Pai Pobre", de Robert Kyiosaki, um clássico da autoajuda financeira. Ter atuado na edição desta obra foi um dos momentos importantes de sua carreira, conta Thiê, que também lembra com orgulho do trabalho em títulos como "Atitudes Sustentáveis", de Rosana Jatobá e Rafael Loschiavo, "Economia Básica", de Thomas Sowell, e "Todo Mundo Mente", de Seth Stephens-Davidowitz.

"Nos últimos anos temos contratado mais coisas pensadas para ser best-seller, mas nem sempre foi assim. Antes publicávamos muito livro técnico, série de viagem, série de cozinha. Hoje estamos indo para outros ramos, que brigam por primeiros lugares de listas dos mais vendidos", explica ele, que, nos momentos de ler por prazer, debruça-se sobre biografias. " Gosto muito de ver histórias de vida. Gente que conseguiu vencer mesmo com os tropeços, isso que é legal".

Aliando esse interesse por histórias de vida com a paixão pela música que Thiê convenceu a Alta Books a começar a investir também no gênero biográfico. Estão nos planos da editora para os próximos meses livros como "The Beautiful Ones — Fragmentos autobiográficos", de Prince, "Quando as Cortinas se Fecham — Minha Vida Além do Palco", de Paul Stanley, "A Serviço do Servo — Os Bastidores de Kurt Cobain", de Danny Goldberg, e "A Plenitude do Ser", de Tina Turner, além de "Livro Aberto - A Minha História", da atriz Demi Moore.

De volta à internet?. Há alguns meses, Thiê passou a produzir vídeos encomendados pelos seus seguidores. São felicitações para aniversários, palavras de incentivo para quem está prestes a viver momentos importantes da vida e até, a pedido de um professor, apoio para alunos já cansados de aulas remotas. Acaba sendo mais uma fonte para pingar algum dinheiro no bolso. "Estou fazendo mais de dez vídeos motivacionais para fãs por semana. Tem rolado muito. Acho o maior barato".

Em seus vídeos, é comum que Thiê fale em arrasar, em "viver para detonar" - referência a um disco e uma música da Lion Heart. Mas o que seria, exatamente, viver para detonar? "É encarar a vida de frente, entrar no desafio, chamar a responsabilidade pra si, encarar e superar a adversidade. Encarar a vida de frente, com coragem, perseverança. Não desistir quando surgirem os buracos, os problemas. Superar os obstáculos e atingir os objetivos mesmo em momentos difíceis, como este da pandemia. Não desistir dos sonhos". Palavras de Thiê Rock.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL