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Livro físico ou digital? Tem discussão mais besta do que essa?

Livro digital X físico - Arquivo
Livro digital X físico Imagem: Arquivo
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Rodrigo Casarin é jornalista e especialista em Jornalismo Literário. Escrevendo sobre livros, já colaborou com veículos como Valor Econômico, Aventuras na História, Carta Capital, Revista Continente, Suplemento Literário Pernambuco, Jornal Rascunho e Cândido. Integrou o júri do Oceanos ? Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa em 2018, 2019 e 2020 e o júri do Prêmio Jabuti em 2019, na categoria Biografia, Documentário e Reportagem. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Colunista do UOL

15/10/2020 08h55

De tempos em tempos, uma discussão assombra as redes de leitores brasileiros: o que é melhor, ler um livro físico ou um livro digital? Fico abismado com a quantidade de tempo, dados de internet e toques no teclado que o povo gasta nessa treta. Olhando para os entusiastas mais aguerridos, a impressão é que há mais paixão pelo formato do coração (porque tamanha predisposição à briga só pode vir de algo passional) do que pela literatura, pela autoajuda ou seja lá o que for. Esquecem que o mais importante do livro é o conteúdo, não o formato.

Quem me acompanha há mais tempo sabe que prefiro os físicos. Sim, sou daqueles que gostam do cheiro dos livros e de tatear as páginas, desde que o papel seja agradável. Costumo grifar frases interessantes e deixar alguns rabiscos quase incompreensíveis nas margens dos textos, o que não consigo fazer com a mesma desenvoltura no leitor digital. Além disso, há a maravilha e a praga da biblioteca: adoro a parede do meu escritório preenchida por lombadas, apesar do trabalho do cão para organizar e limpar.

Mas o livro digital também tem sua graça. Na hora de viajar, sempre carrego um aparelho cheio de e-books ainda não lidos (raramente ligo o aparelho, pois acabo lendo o livro físico que também me acompanha ou o que compro em visitas a livrarias, mas isso é outra história). É muito mais fácil de arrumar cópias digitais de livros que ainda não saíram no Brasil do que exemplares físicos. E se a biblioteca é bela, por outro lado não acumular tanto papel em casa também tem o seu valor.

Tem mais. O tempo entre fazer a compra (com preços normalmente mais camaradas) e ter o produto em mãos é insignificante, o que agiliza leituras urgentes. E é covardia comparar quão mais fácil é achar trechos específicos utilizando as ferramentas de busca dos leitores digitais. Profissionalmente, o aparelho também facilita a vida na hora de receber provas, originais ou grandes remessas de livros que precisam ser lidos e avaliados para prêmios.

Passando a régua, chegamos à conclusão óbvia: cada lado tem sua razão. E não há a menor necessidade de criar qualquer estridência para defender a própria preferência. Acha que só o livro físico presta? Pois só leia o físico. O digital é a prova que deus existe? Então reze com seus sagrados livros virtuais. Concilia os dois? Parabéns. É medonho ficar brigando por um formato ou por outro, como se não houvesse coisa mais importante para gastarmos nossas palavras e energia.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL