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Mauricio Stycer

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Globo reconhece que BBB não é só um jogo e tenta atenuar cancelamentos

Tiago Leifert e os três finalistas (Camilla, Fiuk e Juliette) durante a final do "BBB 21" - Reprodução
Tiago Leifert e os três finalistas (Camilla, Fiuk e Juliette) durante a final do "BBB 21" Imagem: Reprodução
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

05/05/2021 11h10

O "BBB 21" será lembrado pelo seu início, o mais tormentoso e perturbador da história do programa, e o final, em que reconheceu os problemas causados e buscou atenuar os danos.

"Big Brother Brasil é o jogo da realidade, é um reality e é feito por gente de verdade. São pessoas de verdade aqui, que trazem histórias de verdade, cicatrizes de verdade. Encaram outras pessoas, de verdade. É tudo de verdade. E é claro que a gente acaba trazendo assuntos de verdade pra cá também. Esse ano aconteceu, aconteceu bastante. Nós enfrentamos todos eles com humildade, coração aberto", disse o apresentador Tiago Leifert na final.

Embalado pela canção "De Toda Cor", com o famoso refrão "me aceita como eu sou" (tema da personagem Ivana/Ivan em "A Força do Querer"), o "BBB" exibiu um clipe com os "assuntos de verdade" que mostrou: o primeiro beijo entre dois homens (Lucas e Gil) num reality show, o preconceito contra homossexuais e as falas de tonalidade racista.

Falando aos três finalistas, Leifert foi ainda mais claro sobre o impacto do programa na vida dos participantes: "O BBB é uma grande ideia, um programa maravilhoso, todo mundo se diverte. Só tem um problema: o humano. Vamos tirar o humano, olha que beleza. Ninguém mais vai ser cancelado, ninguém mais erra, porque afinal todo mundo é tão perfeito lá fora. Pegam tão pesado com vocês nas redes sociais às vezes. Então vamos tirar o humano. Não é melhor um Big Brother vazio, sem ninguém?", ironizou.

Lucas Penteado, Karol Conká e Projota foram os que tiveram suas imagens mais afetadas pelo programa. O primeiro, positivamente. E os dois outros de forma muito negativa. O documentário "A Vida Depois do Tombo", lançado pelo Globoplay no final de abril, buscou atenuar os dados causados a Karol pelo "BBB", mas não teve muito sucesso ainda.

A cantora cantou também na final, mas foi ofuscada pelo momento que, realmente, funcionou: o dueto de Projota com Lucas em "Moleque da Vila", um dos sucessos do primeiro. O segundo entrou em cena justamente nesta estrofe:

Projota e Lucas - Reprodução/Globoplay - Reprodução/Globoplay
BBB 21: Lucas Penteado e Projota na final
Imagem: Reprodução/Globoplay

"Já fui vaiado, já fui humilhado, já fui atacado
Fui xingado, ameaçado, nunca amedrontado
Aplaudido, reverenciado, homenageado
Premiado pelos homens, por Deus abençoado"

Ao final, Projota fechou os olhos e o abraçou com força, como que pedindo desculpas pelo comportamento terrível que teve com o parceiro durante o programa. De olhos abertos, Lucas sorriu enquanto abraçava aquele sobre quem disse ao encontrar no "BBB": "A letra que tu escreve salva vidas, salvou a minha. Mas eu nunca imaginei que tu ia aparecer aqui. Saca? Tu salvou a minha e da minha mãe. Tá entendendo?"

Encerrado o número, Tiago Leifert se aproximou do palco, onde Juliette, Camilla e Fiuk acompanhavam o show e, dirigindo-se a Lucas, disse: "Você foi foda!!!".

Leifert disse ainda ao trio de finalistas: "Eu tô falando isso porque esse é o Big Brother, é assim que vai ser, é assim que vai acontecer. Vocês vão entrar aqui, vocês vão se embananar, vocês vão errar, vocês vão sair cancelados, e é isso aí. E vocês vão trazer assuntos externos, e a gente vai debater, e vocês vão aprender, e é isso aí. Não tem outro jeito de fazer o Big Brother, é assim. Mas é bonito ver a transformação. A transformação é a coisa mais legal", concluiu.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL