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Mauricio Stycer

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Patricia Abravanel leva pastor ao SBT para orar com a equipe do Vem Pra Cá

Patrícia Abravanel, apresentadora do "Vem Pra Cá"  - Divulgação / SBT
Patrícia Abravanel, apresentadora do "Vem Pra Cá" Imagem: Divulgação / SBT
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

02/05/2021 18h12Atualizada em 02/05/2021 20h32

Uma cena inédita chamou a atenção no SBT na tarde de sexta-feira (30). Após a transmissão do "Vem Pra Cá", todos os membros da equipe, incluindo os da área técnica, produtores e editores, foram convidados a descer para a tenda onde é gravado o programa para participar de uma oração.

A iniciativa do momento religioso foi de Patricia Abravanel, apresentadora do "Vem Pra Cá" e uma das donas do SBT. Três membros de uma igreja evangélica que ela frequenta foram convidados a falar e orar com a equipe do programa.

Segundo o relato de um funcionário do SBT que participou, ouvido pelo UOL, "ninguém foi obrigado a descer para o estúdio". A intenção da apresentadora teria sido de, neste momento difícil, oferecer "um carinho" para a equipe, "uma simples oração".

Segundo Gabriel de Oliveira, que relatou originalmente a cena, no site TV Pop, os religiosos pediram que pessoas que estivessem enfermas "se apresentassem para que pudessem ser purificados". Ainda segundo o relato do jornalista, "três funcionários com problemas de saúde se apresentaram e foram alvos da invocação divina feita em pleno cenário do programa".

O SBT nega que os três tenham sido dispensados ainda na sexta-feira em função do ocorrido, como relatou o site. Segundo o canal, já estava programada a demissão de um desses funcionários no final do mês devido a uma necessidade de restruturação da equipe.

A diretoria do sindicato dos jornalistas profissionais no estado de São Paulo criticou a situação: "Relações de trabalho não envolvem religião. As pessoas têm direito à liberdade religiosa e não podem ser constrangidas por crenças vinculadas ao empregador".

O sindicato dos radialistas no estado de São Paulo também se manifestou: "Vivemos em um país laico. A empresa deveria cuidar mais das pessoas que estão se infectando pelo novo coronavirus, inclusive com mortes de trabalhadores em São Paulo e no Rio de Janeiro", disse o diretor coordenador Sérgio Ipoldo. "Vamos levantar junto aos trabalhadores e ver se cabe alguma denúncia ao Ministério Público ou órgãos sanitários".

Procurei Patricia Abravanel no final da tarde deste domingo. Caso ela responda, acrescentarei a sua versão no texto.