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Mauricio Stycer

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

No "Mais Você", João se vê obrigado a dar nova aula sobre o que é racismo

BBB 21: João Luiz foi eliminado ontem no paredão e tomou café da manhã com Ana Maria Braga - Reprodução/TV Globo
BBB 21: João Luiz foi eliminado ontem no paredão e tomou café da manhã com Ana Maria Braga Imagem: Reprodução/TV Globo
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

23/04/2021 13h17

Mesmo que não tenha planejado isso para a sua participação no "BBB 21", o professor João Luiz acabou assumindo uma função difícil e delicada na Globo - a de esclarecer o público sobre algumas nuances do racismo.

Após tudo que fez dentro do reality show, ele segue dando aulas fora do programa. Nesta sexta-feira (23), durante o "Mais Você", ele teve que dar uma nova lição - para a apresentadora e os seus espectadores.

Com dificuldades de chamar as coisas pelo seu nome, Ana Maria Braga classificou a ofensa de Rodolffo a João como uma "brincadeira". Disse ela: "Você participou de uma situação na casa que deu muito o que falar, aqui dentro, lá fora, que foi a brincadeira que Rodolffo fez com seu cabelo".

Em seguida, após exibir um VT com a cena, disse: "Pois é, e na hora você não teve nenhuma reação. Aí você desabafou com a Camilla na dispensa. Como a gente diz, caiu a ficha. Você começa a contar e se dá conta que te tocou muito fundo".

É neste ponto que João dá uma nova aula. Primeiro, fala sobre o papel de Camilla no processo: "Não imaginei que eu fosse viver algo parecido. Quando eu vivi isso, eu consegui naquele momento expor e abrir só pra Camilla. Que era uma pessoa que eu sabia que teria uma resposta de acolhimento".

Em seguida, educadamente, aponta o erro de Ana Maria e a corrige: "Na hora em que acontece a brincadeira no quarto... Na verdade, não sei nem se a gente pode falar que é uma brincadeira, sabe. Às vezes, a gente tem que falar: não foi legal, não brinca assim, que a pessoa vai parar de brincar. É aí que a gente vai conseguir mudar as coisas. O recado que eu deixo, de verdade, é: toda vez que a gente identificar isso, a gente dizer."

E, retomando o ponto inicial, sobre a sua não reação imediata à fala de Rodolffo, volta a explicar: "E naquele momento lá no quarto deu um engasgo, eu travo. Eu travo, talvez, por tentar assimilar o que pode ter acontecido. E aí, converso com a Camilla, sistematizo tudo que estou pensando e aí quando chega no jogo da discórdia eu consigo fazer o meu desabafo."

Coloca em perspectiva mais uma vez a importância do que aconteceu no dia do "jogo da discórdia": "Fiquei muito contente de conseguir dizer, e de ter o espaço para poder dizer. É uma resposta não só pra mim, mas para muitas pessoas que já ouviram aquilo. Mesmo que digam 'não foi a intenção'. O problema não é a intenção. O problema é saber que também magoa".

Por fim, observa: "Não estou dizendo que o Rodolffo é uma pessoa ruim por ter feito aquilo. Pelo contrário. O discurso do Tiago foi um aprendizado para todo mundo. É para pegar o BBB e usar o BBB para ensinar as coisas. E acho que muita gente aprendeu com aquilo".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL