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Mauricio Stycer

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

CNN Brasil investiga denúncia de racismo contra apresentadora

A jornalista Basília Rodrigues, comentarista de política da CNN Brasil - Reprodução
A jornalista Basília Rodrigues, comentarista de política da CNN Brasil Imagem: Reprodução
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Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

15/04/2021 18h46

A jornalista Basília Rodrigues, comentarista da CNN Brasil, teria sido vítima de racismo em mais de uma situação no canal. A denúncia foi publicada nesta quinta-feira (15) pelo site do Alma Preta, uma agência de jornalismo especializada na temática racial.

Segundo a reportagem, uma funcionária do canal disse para outra: "Se ela fosse loira e de olho azul, você não estava enchendo o saco dela". O comentário teria vindo em resposta a uma reclamação sobre o penteado de Basília.

O site relata ainda que, "em recentes participações ao vivo de Basília Rodrigues, os editores de imagem também optaram por ocultar a comentarista, deixar apenas a voz dela e se utilizar de imagens de apoio para ilustrar as entradas ao vivo".

Ainda segundo a reportagem do Alma Preta, "houve também reclamações acerca das participações de Basília por conta do fundo do vídeo da sua casa, uma parede toda branca".

Em nota divulgada no início da noite, a CNN Brasil reconhece que a acusação "é gravíssima". O canal informa que o caso está sendo investigado pelo departamento de "compliance". Trata-se do setor que busca garantir que a empresa esteja agindo em concordância com as suas normas, políticas e leis.

O canal afirma que "não tolera qualquer tipo de discriminação, seja racial ou de outra natureza, e apura com rigor e transparência qualquer denúncia".

Na longa nota enviada ao UOL, que pediu informações sobre o caso, a CNN descreve as acusações e faz ponderações sobre vários pontos levantados (veja abaixo). Segundo o canal, Basília Rodrigues afirmou não ter conhecimento dos fatos narrados.

"De qualquer forma, queremos ressaltar: se qualquer colaborador da CNN for vítima ou presenciar qualquer situação de discriminação ou violação de natureza ética ou legal, deve procurar a área de recursos humanos ou de compliance e relatar o ocorrido. Todos os casos serão apurados com rigor e transparência, preservando a identidade de quem fizer a denúncia", diz o canal.

Veja a nota da CNN Brasil

"A reportagem publicada nesta quinta-feira (15) pelo site Alma Preta afirma que uma das colaboradoras da CNN tem sido "vítima de racismo" na emissora. A acusação é gravíssima. Por isso, entendemos que é necessário um posicionamento público e transparente por parte da empresa.

A CNN Brasil não tolera qualquer tipo de discriminação, seja racial ou de outra natureza, e apura com rigor e transparência qualquer denúncia. Somos uma emissora recém-chegada ao Brasil, que debate abertamente questões de diversidade, equidade e justiça social.

A jornalista citada na reportagem, Basília Rodrigues, é analista de política da CNN Brasil. A reportagem do Alma Preta, publicada sem assinatura, cita fontes não-identificadas para firmar que Basília "foi alvo de uma perseguição com motivação racista".

O texto afirma que Basília "passou a participar dos programas remotamente de sua casa, por conta do agravamento da pandemia da Covid-19. Desde então funcionários ouvidos pelo Alma Preta relataram uma espécie de perseguição à jornalista".

Para sustentar a acusação, narra quatro episódios que teriam ocorrido no canal:

Em uma determinada entrada ao vivo, segundo o texto, a jornalista "mudou o cabelo de um lado para outro, o que deixou uma parte mais volumosa". O texto relata que a direção do jornal teria reclamado para a equipe que ela estava "descabelada" e não a teria alertado.

Editores de imagem teriam optado por ocultar a comentarista, deixando apenas a voz dela no ar, com uso de imagens de apoio para ilustrar as entradas ao vivo.

Também teriam ocorrido reclamações por conta do "fundo" que aparecia nas entradas que a jornalista fazia de sua casa. Teriam sido criticadas "uma parede toda branca" e um fundo "com uma prateleira".

Em outra entrada ao vivo "a reclamação foi de que ela estaria 'olhando para cima' no vídeo."

O texto afirma que todos os fatos acima foram motivados por perseguição racial e credita fonte anônima para afirmar: "só não vê quem não quer".

Não há qualquer fundamento em relação a não mostrar a imagem da jornalista. Nunca houve qualquer orientação neste sentido. Quem acompanha a nossa programação sabe que Basília é presença constante em nosso vídeo desde nossa estreia, sendo reconhecida por seu profissionalismo e amplo conhecimento dos bastidores políticos de Brasília. Depois de uma bem-sucedida carreira em rádio, Basília fez sua estreia na TV justamente na CNN.

De fato, a jornalista trabalhou em home office por alguns dias, por suspeita de estar com a Covid-19 - o que, felizmente, não se confirmou nos exames. O procedimento foi o mesmo seguido por todo o nosso elenco desde o ano passado.

Naquele curto período, foram feitos ajustes no set de sua casa como a correção do fundo e da iluminação, exatamente da mesma forma como foi feito com todos os profissionais da empresa que passaram pela mesma situação. Procedimento padrão, guiado pelos critérios técnicos da emissora.

Quanto ao cabelo de Basília, nunca houve e nunca haverá qualquer pedido de mudança a ela e a nenhum outro colaborador. A CNN entende que o cabelo afro é um símbolo importante de resistência e empoderamento.

Tão logo foi notificada da reportagem do Alma Preta, a CNN cuidou de apurar a situação e até o momento não encontrou nenhuma evidência, ou mesmo indicação, de perseguição racial.

A própria Basília afirmou não ter conhecimento dos fatos narrados, que estão neste momento sendo apurados pelo Compliance da empresa. Basília já havia dito o mesmo a Pedro Borges, editor-chefe e cofundador do Alma Preta, que procurou a analista da CNN antes da publicação da matéria e narrou a ela os relatos que diz ter apurado.

De qualquer forma, queremos ressaltar: se qualquer colaborador da CNN for vítima ou presenciar qualquer situação de discriminação ou violação de natureza ética ou legal, deve procurar a área de recursos humanos ou de compliance e relatar o ocorrido. Todos os casos serão apurados com rigor e transparência, preservando a identidade de quem fizer a denúncia.

Continuamos em busca de fatos que comprovem a reportagem publicada pelo Alma Preta para, de imediato, tomarmos todas as medidas cabíveis.

O combate ao racismo é responsabilidade de todos."