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Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Sucesso de "Império" tem nome, sobrenome e alcunha: o comendador

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

12/04/2021 13h26

"Império" estreou em um momento delicado e com uma missão importante. Sua antecessora, "Em Família", de Manoel Carlos, havia sido a primeira novela das 9 a registrar média inferior a 30 pontos (fechou com média de 29,6 pontos).

A trama de Manoel Carlos chegou a ser encurtada e terminou com apenas 143 capítulos. Já a história de Aguinaldo Silva, que cumpriu a missão e elevou o Ibope para quase 33 pontos, ficou no ar de julho de 2014 a março de 2015, com um total de 203 capítulos.

A razão do sucesso de "Império" tem nome, sobrenome e alcunha: José Alfredo de Medeiros, o comendador.

Na primeira fase da novela, apenas três capítulos, o personagem é vivido por Chay Suede. É o seu primeiro trabalho na Globo e já mostra o enorme talento do ator. Nesta primeira fase, quem também brilha é Marjorie Estiano, como a terrível Cora.

Aliás, uma das maiores maluquices que já vi numa novela envolve a atriz. A genial Drica Moraes, que vive Cora na fase adulta, a certa altura teve que se afastar das gravações por motivo de saúde. E quem foi escalada para substituí-la? Marjorie. Por incrível que pareça, todo mundo comprou a solução e não atrapalhou em nada a novela.

Mas voltando ao comendador. O melhor de "Império". Um raro personagem com muitas dimensões, contraditório e carismático. O comendador era bom e mau, honesto e pilantra, cheio de esqueletos no armário, manias engraçadas. Um anti-herói, como reza a boa dramaturgia, nada retilíneo. Vivido com brilho por Alexandre Nero, o personagem levou a novela nas costas e mostrou que Aguinaldo Silva é capaz, ainda, de grandes momentos.

"Império" é um novelão, a penúltima de Aguinaldo Silva na Globo. A última foi a mal sucedida "O Sétimo Guardião". Além do comendador, "Império" tem vários outros acertos, mas também tem muitas imperfeições, como toda novela longa demais, que fica no ar além do tempo previsto.

Depois de "Império", a Globo sofreu para manter a média de audiência acima dos 30 pontos. As quatro novelas que vieram depois, "Babilônia", "A Regra do Jogo", "Velho Chico" e "A Lei do Amor", não conseguiram. Só com "A Força do Querer", a audiência voltou a ficar neste patamar acima dos 30 pontos.

"Império" é a segunda novela de Aguinaldo reprisada desde que, em março de 2020, a Gliobo suspendeu a gravações de tramas originais por causa da pandemia do coronavírus. Naquela ocasião, sem capítulos inéditos de "Amor de Mãe", a emissora escalou "Fina Estampa" para o horário nobre.

Na sequência, a Globo exibiu "A Força do Querer" e, em março de 2021, apresentou o desfecho de "Amor de Mãe", com 23 capítulos inéditos. A novela que viria em seguida, "Um Lugar ao Sol", de Licia Manzo, foi adiada por causa da pandemia e, em seu lugar, foi escalada "Império".

"Primeiro levei um susto. Depois fiquei muito feliz. Duas novelas reprisadas no horário nobre em menos de um ano? Deus é fiel", disse o autor ao UOL.

Uma entrevista com Aguinaldo Silva, em abril de 2020, sobre a sua saída da Globo:

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL