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Mauricio Stycer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Após erros e exageros, "Amor de Mãe" oferece a cena que os fãs mereciam

Lurdes (Regina Casé) conta para Danilo (Chay Suede) que ele é Domênico  - Reprodução / Internet
Lurdes (Regina Casé) conta para Danilo (Chay Suede) que ele é Domênico Imagem: Reprodução / Internet
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

07/04/2021 23h14

Manuela Dias sempre teve um grande trunfo na mão e, talvez por isso, não tenha se preocupado tanto com o desenvolvimento de "Amor de Mãe". A autora sabia que o público aceitaria qualquer coisa e esqueceria qualquer absurdo em troca de uma cena emocionante: o encontro de Lurdes com o seu filho Domêmico.

A cena, finalmente, foi ao ar nesta quarta-feira (07). A autora caprichou, a direção fez o melhor que podia, Regina Casé e Chay Suede entregaram tudo que tinham para oferecer. Foi uma cena à altura da expectativa: 1% de razão e 99% de emoção.

Só não chorou quem não assistiu nenhum capítulo antes desse e não entendeu nada. Esse espectador deve ter se perguntado como Thelma (Adriana Esteves) estava vendo tudo sem ser vista. Quis saber por que Lurdes não correu à polícia. Espantou-se com a rápida volta à normalidade na família.

Mas não foi para esse espectador que a autora escreveu esta fase final, com apenas 23 capítulos. Manuela Dias mirou, claro, nos fãs que assistiram e se deleitaram com os primeiros 102 capítulos antes da pandemia. Não acertou o alvo, porém.

Pesou a mão na violência (cinco assassinatos em 19 capítulos). Expôs personagens, como Camila (Jessica Ellen), a dramas sem fim. Escreveu cenas absurdas, que desafiaram a inteligência do espectador, como o atentado contra Davi (Vladimir Brichta) ou o ataque de um abusador contra Vitória (Tais Araujo). Transformou Álvaro (Irandhir Santos) numa caricatura.

Mais grave de tudo, Manuela Dias praticamente sumiu com Lurdes da novela. A protagonista foi sequestrada por Thelma em 25 de março e o seu resgate ocorreu 12 capítulos depois, neste 7 de abril. Neste longo interlúdio, a razão de ser de "Amor de Mãe" teve pouquíssimas cenas e quase todas muito parecidas.

A autora atrapalhou-se, ainda, ao trazer a covid-19 para o centro da trama sem imaginar que quando a novela voltasse ao ar a situação estaria muito pior do que antes. Amplificou o sofrimento dos personagens e, claro, dos espectadores.

"Amor de Mãe" se tornou uma novela gratuitamente pesada. Realista? Sim. Mas num momento em que o público esperava mais amor e menos drama de mãe.

Por isso tudo, o encontro de Lurdes com Danilo/Domênico lavou a alma. Era o que público esperava e precisava. Todo mundo quis entrar na novela para abraçar aquela mãe. Foi lindo. Mas o caminho não precisava ser tão dolorido até chegar lá.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL