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Mauricio Stycer

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Segredo para curtir o BBB em paz é não torcer para ninguém e odiar todos

BBB 21: Formação do mais recente paredão  - Reprodução/Globoplay
BBB 21: Formação do mais recente paredão Imagem: Reprodução/Globoplay
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

18/03/2021 17h17

Gilberto ou Juliette? De que lado você está na polêmica do dia? Ou você torce para Sarah e não sabe como lidar com as mudanças da participante? Gosta de Carla, mas não aguenta a forma como a atriz lida com Arthur? Prefere Fiuk, mas fica sem graça com o jeito dele?

Tem simpatia por Viih Tube, mas reconhece que ela vacila muito? É fã de Pocah, mas não aguenta mais ver a cantora dormindo no BBB 21? Adora João e Camilla, mas espera que eles participem mais do jogo? Torce pela Thais, mas não sabe explicar por quê? Apoia a dupla Rodolffo e Caio, mas também não entende os que eles dizem?

Enfim, não é fácil torcer por um participante desta edição. Todos têm problemas. Na verdade, esta é uma dificuldade recorrente em todas as edições. "Brothers" e "sisters" são humanos e não mantêm comportamento retilíneo 24 horas por dia durante três meses. É impossível.

Todos estão sujeitos a mudanças de foco, vacilos, grosserias e pisadas na bola. Surpreendente seria o participante não mudar ao longo do "BBB".

E o fã sofre. Os que permanecem fiéis ao mesmo participante desde o início do reality precisam engolir muitos sapos e aceitar muitas contradições. Os que vão mudando de preferência ao longo do jogo sofrem menos, mas são menos respeitados pelos outros torcedores.

Eis aí o principal problema. Quando você se afeiçoa por um participante, automaticamente você passa a fazer parte de um grupo de pessoas que partilham a mesma admiração. E, ao defender publicamente a sua preferência, você entra em choque com as turmas que têm outros preferidos.

E aí é guerra - virtual, claro. Guerra de memes, troca de ofensas, compartilhamento de vídeos sem contexto, ataques de um lado para o outro. O inferno, enfim, como bem retrata esta reportagem de Marcela Ribeiro.

Por isso, recomendo: o segredo para curtir o BBB em paz é não torcer para ninguém e odiar todos. Faço isso desde a primeira edição e nunca me arrependi. Ao contrário, garanto a diversão.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL