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Mauricio Stycer

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Ao vivo, Leifert acerta com piadas e cobranças, mas erra com interferências

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

13/03/2021 23h52Atualizada em 15/03/2021 19h14

Entre as muitas habilidades exigidas do apresentador de um reality show, a mais complexa é a capacidade de interagir ao vivo com os participantes. É sempre um momento muito complexo, porque imprevisível. Leifert tem ido muito bem nas piadas e cobranças, mas erra quando interfere diretamente no jogo ou quando trata os participantes como crianças numa escolinha.

Mesmo com a ajuda de roteiro e do diretor no ponto eletrônico, o apresentador sempre corre o risco de ouvir o que não esperava e falar o que não devia.

Tiago Leifert costuma se sair bem no ao vivo. Nesta edição do "BBB", teve um início difícil, em que parecia amuado com algo, mas logo engatou a marcha do bom-humor e passou a dominar a situação com maestria.

Nos seus melhores momentos, tem cobrado os participantes a tomarem posição sobre diferentes questões. Em campanha contra as plantas, pede justificativas, diz que não aceita enrolações, exige engajamento.

Quando Rodolffo citou Fiuk num jogo da discórdia como a maior decepção porque o ator não conhecia rabada e fígado ao chegar na casa, Leifert não aceitou a resposta. "Rabada não elimina ninguém. Não fujam das respostas que pode ser pior para vocês", disse o apresentador. Rodolffo então elegeu Carla.

Mas, neste esforço de "acordar" a casa, Leifert nem sempre encontra o tom certo para as broncas e, às vezes, trata os participantes como crianças (eles merecem) e mostra uma vocação para bedel.

Carla - Reprodução - Reprodução
Carla Diaz levou um corte de Leifert ao agradecer ao público por ter ido ao quarto secreto
Imagem: Reprodução

Na sexta (12), Leifert deixou claro que os participantes se arriscam muito ao falar quando não são questionados. Carla tomou a iniciativa de agradecer ao público por ter sido enviada ao quarto secreto no falso paredão. O apresentador não gostou: "Mas você não sabe o que aconteceu. Vocês não têm a menor ideia do que aconteceu".

Já neste sábado (13) à tarde, Fiuk quis saber se poderia continuar cozinhando enquanto os colegas disputavam a prova do anjo. Mas, preocupado com o que Leifert poderia dizer, pediu: "Não precisa ser grosso comigo, é só uma pergunta".

O apresentador não se desculpou com a interrupção que provocou, mas reconheceu: "Fazendo um mea-culpa, a gente sabe que os avisos do anjo estão vindo muito em cima da hora. Vamos mudar isso para vocês não começarem a fazer comida e de repente queimar."

Caio Fiuk - Reprodução/ Globoplay - Reprodução/ Globoplay
BBB 21: Caio e Fiuk levam bronca de Tiago Leifert por fumarem na hora errada
Imagem: Reprodução/ Globoplay

Depois da prova, vencida por Projota, Fiuk e Caio levaram bronca de Leifert ao se dirigirem à varanda para fumar. "Não era hora! Não é o momento, né?", reclamou o apresentador.

À noite, durante o programa exibido na TV aberta, Leifert exerceu outra de suas habilidades - comentários didáticos com a função de influenciar o público sobre o andamento do jogo. No caso, o apresentador deu uma ajuda a Gilberto e queimou Carla ao alertar o espectador sobre um aspecto não mostrado da conversa entre os dois.

Já domingo (14), Leifert riu de Projota, cujos hábitos culinários são muito peculiares. Antes de mostrar o almoço do anjo, o apresentador riu do músico: "E o Projota fez a primeira refeição, yes! Ele conseguiu comer hoje..."

Enfim, nesta altura do jogo, na escolinha do professor Leifert qualquer vacilo pode ser motivo de bronca ou ajuda.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL