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Mauricio Stycer

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

"Minimizar esse pesadelo não ajuda a resolver o problema", critica o JN

O jornalista Alan Severiano observa que o número de mortos por covid equivale a oito acidentes aéreos - Reprodução
O jornalista Alan Severiano observa que o número de mortos por covid equivale a oito acidentes aéreos Imagem: Reprodução
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

03/03/2021 21h12

O "Jornal Nacional" apresentou um pequeno editorial nesta quarta-feira (3), dia em que o Brasil bateu um novo recorde de mortos pela covid-19 - 1.840 vítimas, mais de um óbito por minuto.

Numa crítica aos que negam ou minimizam a gravidade da pandemia, o telejornal da Globo lembrou que esta atitude não ajuda a resolver a tragédia.

O texto foi lido pelo jornalista Alan Severiano, durante a divulgação dos números da pandemia no país.

"A gente torce muito para as coisas melhorarem, mas a situação piora a cada dia. Infelizmente começamos com esse número recorde. Nas últimas 24 horas, o Brasil registrou 1.840 mortes por covid. Ou seja, mais de uma morte por minuto. São até agora 259.402 mortes vítimas da doença. Depois de um ano tem muita gente cansada da pandemia, de tantos números negativos, mas negar a realidade e minimizar esse pesadelo não ajudam a resolver o problema", disse o jornalista.

Para tentar aproximar a tragédia do espectador, o texto fez um paralelo com um acidente de avião.

"Para dar uma dimensão da tragédia atual, vamos lembrar de uma outra tragédia que abalou o país, o acidente aéreo em junho de 2009 com um avião da Air France na rota Rio-Paris. O Airbus A-330 caiu no oceano Atlântico: 228 pessoas morreram. Hoje foram 1.840 mortes por covid. É como se o Brasil tivesse num único dia oito acidentes como esse de avião com todos os passageiros e tripulantes mortos", pontuou Severiano.

E, pedindo que as pessoas não se acostumem com os números, o editorial lembrou:

"Queda de avião gera uma comoção enorme pela violência, pelo impacto, pela morte instantânea de tanta gente. Na pandemia, o que temos no Brasil, todos os dias, são mortes e enterros silenciosos, distantes de parentes e amigos. Isso talvez não sensibilize algumas pessoas, que já se acostumaram com a pandemia, mas essas mortes de 1.840 brasileiros por dia são igualmente trágicas, principalmente se a gente imaginar que muitas poderiam ser evitadas."