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Mauricio Stycer

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Mr. Edição reescreve história de Conká no BBB 21 e maldades viram gracinhas

Em vídeo exibido no BBB 21, Karol Conká foi apresentada como rainha, cercada pelos súditos Nego Di, Lumena e Projota - Reprodução
Em vídeo exibido no BBB 21, Karol Conká foi apresentada como rainha, cercada pelos súditos Nego Di, Lumena e Projota Imagem: Reprodução
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

17/02/2021 01h38

No melhor episódio da temporada, até agora, temperado com muito humor, o "BBB 21" resumiu com sagacidade os acontecimentos da noite de terça-feira, em especial a briga entre Pocah e Gilberto. Apresentou com graça a saga do "G3 contra o mundo". Promoveu Carla Diaz ao posto de antagonista de Karol e Lumena. E ainda trouxe um Rafael Portugal inspiradíssimo, rindo muito de Fiuk, Projota e Nego Di, entre outros.

A noite terminou, como se esperava, com a catarse do público, que proporcionou novo recorde de rejeição na história do "BBB" - 98,76% dos 169 milhões de votos foram para Nego Di.

O ponto que destoou no programa foi o vídeo de quase quatro minutos dedicado a Karol Conká. Seguindo um movimento que Mr. Edição vinha esboçando nos últimos dias, a grande vilã do programa foi apresentada em chave de humor.

As piores coisas que fez no programa, as muitas ações que foram vistas como terror psicológico, ou foram esquecidas ou foram diluídas e pareceram meras gracinhas. Para citar apenas três episódios, falo das ofensas com tintas de xenofobia a Juliette, da expulsão de Lucas da mesa do almoço e da intriga que inventou com Carla Diaz.

Apresentada como "Rainha MáMácita", um jogo de palavras com "má" e "mãe", cercada pelos súditos Nego Di, Lumena e Projota, Karol ganhou espaço para se descrever como uma pessoa debochada - e não cruel, como parte do público a vê.

Enquanto esta versão engraçadinha da personagem era exibida, uma mensagem na tela, atribuída a uma certa Becca, dizia: "Karol é a vilã que eu quero ser". Seguida por "a pessoa mais amada da casa", nas palavras de Nego Di.

Também foi mostrada como alguém que gosta de aparecer, é empoderada, influente e dona de uma língua afiada. "Sou debochada quando preciso me defender", explicou. Sem detalhar o que fez no programa, o vídeo ainda mostrou Conká dizendo: "Reconheço meu erro. Mas a vergonha corrói e a gente disfarça dizendo não estou nem aí". E terminou com: "E eu só tenho essa vida para viver".

Em resposta a suas atitudes iniciais, Conká foi "cancelada" fora do "BBB". Foi desconvidada de vários eventos que participaria e um programa no GNT, do Grupo Globo, que ela apresenta, teve a sua data de lançamento suspensa.

As cenas protagonizadas pela cantora nas primeiras semanas assustaram os patrocinadores do programa. Após uma visita ao confessionário, supostamente para conversar com uma psicóloga, Karol amenizou o seu comportamento agressivo.

Reduzir o impacto negativo que Karol causou nas primeiras semanas e apresentá-la como uma vilã do mundo da ficção (telenovela, HQ) parece ser uma missão de Mr. Edição. É uma forma do "BBB" mostrar que não é um destruidor de imagens e reputações.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL