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Mauricio Stycer

Com "Bridgerton", Netflix mostra que está pronta para produzir novelas

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

11/01/2021 15h14

Novo sucesso da Netflix no mundo, a série "Bridgerton" foi vista por 63 milhões de assinantes nas suas primeiras quatro semanas. O programa é o primeiro fruto da parceria do serviço de streaming com Shonda Rhimes, produtora de sucessos como "Grey´s Anatomy" e "Scandal".

Pelos critérios da Netflix, uma série é considerada vista se o assinante assistiu ao menos a dois minutos do programa. Por essa métrica meio estranha, "Bridgerton" já é o quarto lançamento mais popular da história do serviço de streaming.

Baseada no best-seller de Julia Quinn, publicado no Brasil, "Bridgerton" é um romance açucarado ambientado no início do século 19 na Inglaterra. A primeira temporada (certamente virão outras) se passa em 1813 e, basicamente, se resume a mostrar o esforço da sociedade local em encontrar maridos para jovens que estão no final da adolescência.

A trama gira em torno do casal formado por Daphne Bridgerton e Simon Basset, o duque de Hastings. A jovem idealista sonha com um casamento por amor, enquanto o rapaz, cheio de traumas, não quer maiores compromissos. Historinha de novela de época no horário das 18h da Globo.

Outro atrativo de "Bridgerton" é a existência de uma fofoqueira muito bem informada, cuja identidade todos desconhecem, que relata os bastidores da corte em uma publicação - "Gossip Girl" manda lembranças.

E o terceiro ponto de interesse é o fato de que vários nobres, incluindo a rainha Charlotte, da Inglaterra, e o duque galã, serem vividos por atores negros. A série busca fazer uma ação afirmativa e se inspira na teoria de que Charlotte seria realmente descendente de negros.

Enfim, "Bridgerton" é entretenimento bem produzido, com alto orçamento. Os dramas são leves, as cenas de sexo são coreografadas de forma a não ofender ninguém da família e deixa um gostinho de quero mais. Como uma boa novela.

Aliás, nos últimos anos, o CEO da Netflix disse que não descartava a ideia de produzir novelas. "Bridgerton" mostra que o serviço de streaming está pronto para entrar neste mercado. A Globo, exibindo reprises, que se cuide.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL