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Mauricio Stycer

O que se salvou na televisão em 2020, o pior ano de todos

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Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

21/12/2020 10h58

Foi um ano difícil, terrível mesmo, o pior ano de todos, como disse a revista "Time". As mortes causadas pela pandemia de coronavírus, os estúdios fechados, as demissões, os cancelamentos de programas, as demissões, os prejuízos econômicos. Enfim, foi um ano para esquecer.

Mas, em vez de mais uma vez lembrar de tudo de ruim que aconteceu em 2020, quero falar do que foi bem, das soluções engenhosas, dos acertos. Algumas coisas se salvaram. Vem comigo.

Em primeiro lugar, o jornalismo. Quando o público mais precisou de informações sobre a pandemia, as principais emissoras de TV aberta entraram em ação de forma relevante. Depois, com a negação da gravidade da pandemia por parte do governo, algumas perderam o ímpeto e classificaram como "alarmista" a cobertura dos concorrentes. Serão lembradas por isso no futuro.

Globo, TV Cultura e Band se destacaram, na minha opinião, com uma cobertura mais constante, quase o ano todo, focada nos aspectos trágicos do coronavírus. Na TV por assinatura, GloboNews e a novata CNN Brasil também tiveram muito mais acertos do que erros.

Em termos de novelas, as únicas alegrias que tive em 2020 foram o final de "Bom Sucesso", em janeiro, e o desenvolvimento da trama de "Amor de Mãe", cujas gravações foram suspensas em março.

Foi um ano em que a representatividade racial foi discutida publicamente em vários programas. O Roda Viva, na Cultura, ampliou o espaço de participação para convidados e entrevistadores negros. A Globo exibiu "Falas Negras", um especial incrível sobre o tema.

Em matéria de realities, foi um ano excelente. O BBB 20 se reinventou com a presença de famosos e A Fazenda 12 conseguiu oferecer segurança para os participantes em plena pandemia. Ambos garantiram muita diversão para o público - sem falar que os dois programas foram vencidos por participantes negras.

Nos esportes, a grande surpresa do ano foi a conquista, pelo SBT, dos direitos de transmissão da Taça Libertadores. É uma mudança que ainda terá impacto na televisão.

Em matéria de séries, a Globo fez algumas tentativas de gravação na pandemia, como "Amor e Sorte", "Diário de um Confinado" e "Sob Pressão: Plantão Covid". A mais bem-sucedida, na minha opinião, foi esta última. Marjorie Estiano e Julio Andrade novamente deram show.

Na área do humor, houve vários esforços da Globo no seu canal de streaming. A melhor, de longe, foi o "Sinta-se em Casa", protagonizado por Marcelo Adnet.

O talk show de Pedro Bial foi outro destaque positivo no ano. Serginho Groisman demorou um pouco, mas reagiu bem, também, às limitações impostas pela pandemia.

Enfim, não foi um ano inteiramente perdido. Mas espero que 2021 seja muito melhor. Um bom Natal e um feliz ano novo a todos.

Aviso: Faço uma pausa de três semanas e retorno em 11 de janeiro. Um ótimo Natal e um feliz Ano Novo para todos.