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Mauricio Stycer

Marcos Mion sobre falhas em 'A Fazenda': 'Ninguém ficou feliz'

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

18/12/2020 17h58

Um dia após a final, Marcos Mion conversou com os colunistas de Splash Chico Barney e Mauricio Stycer sobre o sucesso de "A Fazenda 12", mas também sobre os problemas e erros que ocorreram durante a edição.

O apresentador, elogiado por sua performance no comando do programa, falou sobre as provas que muitas vezes abriram brechas para erros e precisaram ser refeitas.

Até onde eu pude perceber, nitidamente, ninguém ficou feliz. Não foi tranquilo.

E acrescentou: "Quando você está com um programa deste patamar, com esta audiência, esta expectativa, não dá pra errar. Nunca mais vamos errar? Não. Somos seres humanos, a gente erra. Acontece. Mas a tendência nítida é diminuir essa frequência e corrigir os erros."

Sobre mudar o formato das provas, Mion acredita que essa não seja a solução, porque a intenção é de que elas sejam complicadas mesmo. Ele afirma que o problema é como elas são executadas no programa.

Mion elencou cinco razões para o sucesso desta temporada. Primeiro, o efeito da pandemia. "A forma como nós, seres humanos, ficamos oprimidos, com falta de entretenimento, isolados em casa". O apresentador também considera que o público "identificou o esforço e a coragem de fazer um programa deste tamanho".

Citou ainda "o elenco muito bem escolhido". Mencionou o sucesso do BBB20, exibido pela Globo no início do ano. "Um puxa o outro". E, por fim, citou o fato de estar trabalhando com a mesma equipe já há três anos. "A comunicação entre nós está se solidificando."

Mion concorda que o programa ainda é muito engessado. "É um formato", lembrou. Mas observou que por seu "um artista muito inquieto", tem batalhado para relaxar algumas coisas. "Eu vou abrindo um espacinho aqui, eles vão abrindo um espacinho ali. Para A Fazenda ficar mais com a minha cara. Depois de três a anos, sinto mais flexibilidade", disse.

O apresentador enxerga apoio da Record nesta esforço de tornar o reality menos engessado: "A Record está se apropriando cada vez mais com a linguagem do brasileiro, tentando mexer mais. Mas concordo que poderia ser mais", disse.

"É nítido a liberdade que tenho, com as minhas citações, piadas, que tornam o programa mais leve. Nunca ouvi nada contra. Citei o Chewbacca. Tenho total liberdade", disse.

Mion citou como exemplo de flexibilização o envio de cervejas para os finalistas dentro da casa: "Cerveja dentro da sede não pode. Mas aí liberaram a cerveja e foi um passo enorme. Rendeu bons VTs. Ajuda a deixar o programa mais solto e bom humorado".

Questionado por Barney se não deveria estimular mais os conflitos entre os participantes, Mion observou: "Tem que ter um ajuste fino. A gente não pode ser muito agressivo. Tem que saber dosar", ensinou. "As pessoas precisam ser colocadas pra cima também. Precisam ser valorizadas também, São pessoas que estão longe dos seus familiares, das pessoas que confiam. Então, eu viro uma voz de confiança para eles."

Lucas Selfie foi indicado como o participante que mais o surpreendeu positivamente. "Ele foi peça fundamental. Visão de produtor de TV. É sensacional você ter alguém lá dentro que olha o jogo da forma como ele gostaria de estar assistindo aqui fora".

Questionado sobre quem o decepcionou, Mion disse que não saberia citar ninguém. "Não estou sabonetando", disse, repetindo o termo que usava no programa para cobrar os peões. "Em temporadas passadas, tivemos algumas decepções. Esse ano acho que todo mundo rendeu".

Barney questionou Mion sobre a seleção de Biel. "A presença de alguém com o histórico do cantor não fica na contramão de importantes debates sociais que estão acontecendo no Brasil e no mundo atualmente", perguntou.

"Não cabe a mim julgar. Isso cabe à lei. Os participantes nascem, vivem e 'morrem' quando são eliminados. São julgados pelo que fazem lá. Eu, como apresentador, tiro tudo que veio antes. Não posso ser influenciado pelo que trouxeram de fora."

Assim como ocorreu no "BBB20", "A Fazenda 12" este ano registrou votações na casa de centenas de milhões. A final chegou a 1 bilhão de votos. Mion observou que estas votações com números altíssimos foram festejadas pela emissora. Mas disse: "Minha opinião particular, que não vale para nada, é que deveria ser um voto por pessoa. A gente conseguiria democratizar mais a história."

Dizendo-se "totalmente disponível" para o que a Record planejar para ele em 2021, além da "Fazenda", o apresentador disse que gostaria de desenvolver um novo projeto no primeiro semestre: um talk show. É um sonho que tinha desde os tempos de MTV. "Abrindo meu coração para vocês, seria um programa no fim da noite, sim".

O apresentador contou que apresentou à Record um projeto de talk show em 2019, que começou a ser desenvolvido, mas não foi levado adiante. "Era uma coisa diferente de todos os talk shows. Mas acabou não indo pra frente."

Caso não tenha nenhum trabalho na TV no primeiro semestre, e se a pandemia permitir, Mion sonha em voltar a fazer teatro. "O sangue borbulha dentro de mim quando estou no palco".

Questionado, por fim, se "A Fazenda 12" foi o momento mais importante de sua carreira, Mion observou: "Sem dúvida, 'A Fazenda 12' foi o maior projeto, o maior programa que já fiz na minha vida. Importância é relativo".

E perguntou: "Como vou destacar 'Os Piores Clipes do Mundo'? Ou o 'Legendários', que me colocou onde estou? Ou o 'Quinta Categoria'... É difícil falar em importância. Mas 'A Fazenda 12' foi o maior, onde eu consegui sentir um retorno de público, crítica, anunciantes, que nunca senti na minha vida."

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL