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Mauricio Stycer

Silvio e Boni já "se estranharam" várias vezes em 50 anos de TV

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Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

14/12/2020 17h28

Uma declaração de Boni sobre Silvio Santos, dizendo que o dono do SBT não deu nenhuma contribuição à TV brasileira, provocou um Fla-Flu nas redes sociais. Este é apenas mais um capítulo de uma longa relação, muitas vezes conturbada, entre duas das figuras mais importantes da televisão.

Silvio Santos e Boni já "se estranharam" várias vezes nestes últimos 50 anos. No final da década de 1960, quando Walter Clark e Boni começaram a mudar a Rede Globo, Silvio já era o rei dos domingos na emissora. O dono do Baú da Felicidade comprava dez horas de programação com direito a explorar a publicidade no horário.

Boni e Walter Clark queriam que a Globo também tivesse participação na venda de anúncios do Programa Silvio Santos. A certa altura, a dupla de executivos defendeu que a Globo não renovasse o seu contrato com Silvio, mas Roberto Marinho foi contra. E Silvio continuou mais alguns anos na Globo.

No seu livro de memórias, Boni contou que Silvio emprestou dinheiro à Globo nesta época. Outros dois executivos naquela época, Luiz Eduardo Borgeth e o americano Joe Wallach contam a mesma coisa. Silvio emprestou dinheiro para pagar salários e fornecedores da TV Paulista, que a Globo adquiriu na década de 60.

Silvio e Boni tiveram dois desentendimentos públicos bastante sérios. Ambos no final da década de 1980. O primeiro envolveu a ida de Gugu Liberato para a Globo e o segundo a ida de Jô Soares para o SBT.

Boni ficou magoadíssimo com Jô quando ele aceitou o convite de Silvio no final de 1987. E proibiu que a Globo exibisse anúncios comerciais protagonizados por Jô e outros artistas que não fossem da Globo. Silvio fez um apelo público a Roberto Marinho para que cancelasse esta decisão, que prejudicava os seus contratados. E chamou Boni de "office boy de luxo".

Esta ofensa é uma referência ao segundo episódio. Quando a Globo contratou Gugu, Silvio foi ao Rio pedir para Boni cancelar o contrato. Mas o executivo disse que não podia resolver o problema. Que Silvio devia falar diretamente com Roberto Marinho. O que Silvio fez.

Uma última história envolvendo os dois ocorreu em 2001. Boni havia deixado a Globo em 1998, após 31 anos, e ficou quatro anos na função de consultor. Encerrado este período, o então vice-presidente do SBT, José Roberto Maluf, hoje comandando a TV Cultura, fez uma aproximação de Boni com Silvio Santos.

Boni chegou a assinar um contrato com o SBT, no qual teria plenos poderes sobre a programação da emissora, com exceção do programa de Silvio, e teria 50% de participação nos lucros que excedessem o lucro dele naquele momento. Na última hora, Silvio desistiu deste acordo e eles assinaram um distrato.

Enfim, não é uma história simples nem pacífica. E ajuda a entender a declaração de Boni sobre Silvio.