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Mauricio Stycer

Sala de maquiagem é apontada como "vilã" de surto de covid na CNN Brasil

Monalisa Perrone, uma das principais âncoras da CNN Brasil, recebeu diagnóstico de covid-19  - Reprodução / Internet
Monalisa Perrone, uma das principais âncoras da CNN Brasil, recebeu diagnóstico de covid-19 Imagem: Reprodução / Internet
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

25/10/2020 17h34

Um surto de covid-19 na sede da CNN Brasil levou a uma mobilização dos jornalistas e radialistas da emissora com o pedido de uma série de providências. Segundo o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, a empresa "tem ignorado a maior parte delas". A emissora afirma ter tomado uma série de medidas e diz que a situação está controlada.

Segundo os relatos, houve o registro de mais de 30 casos de profissionais infectados na redação do canal, em São Paulo, no intervalo de duas semanas. Publicamente, revelou-se que Gabriela Prioli, Leandro Karnal e Monalisa Perrone receberam diagnóstico positivo para o novo coronavírus.

Em uma assembleia virtual, os jornalistas decidiram pedir à direção da emissora a testagem de todos os trabalhadores, incluindo os terceirizados. Também foi solicitado o afastamento imediato de todos que tiveram contatos com pessoas próximas infectadas. É o caso, por exemplo, de um apresentador que está trabalhando na redação apesar de sua mulher, também apresentadora, estar em casa com covid-19.

Também há o caso de uma âncora que foi afastada por covid-19 no dia 12 de outubro, embora já estivesse com sintomas há alguns dias. O seu colega de bancada continuou trabalhando por mais dois dias até também ser diagnosticado com a doença.

Segundo a denúncia, a sala de maquiagem utilizada pela âncora se tornou "um vetor de contaminação, fazendo com que a covid-19 tenha atingido ao menos dez apresentadores e analistas, além de maquiadores, camareiras e a chefe do figurino. Daí o vírus espalhou-se para a redação, atingindo editores". A emissora confirma (veja nota abaixo) que este local pode ser o responsável por espalhar a doença.

Ainda segundo os relatos de jornalistas, o surto na CNN Brasil ocorreu após a emissora pedir a volta ao trabalho presencial de profissionais que estavam fazendo trabalho remoto.

Numa longa nota, a CNN Brasil lista todas as medidas que afirma estar tomando para enfrentar a pandemia e proteger os seus funcionários. Veja:

Na semana retrasada, a CNN Brasil registrou um pico isolado de casos de Covid-19 entre seus funcionários e colaboradores em sua sede em São Paulo, conforme noticiado e confirmado pela empresa. Apesar de ser impossível uma conclusão definitiva, os médicos do trabalho que assessoram a CNN acreditam que o pico ocorreu em um dos camarins da emissora, apesar de todas as medidas de precaução adotadas. A área foi isolada e submetida a desinfecção e todos os funcionários do setor, afastados por segurança

A CNN Brasil adota, desde o primeiro dia de sua operação, um sólido conjunto de medidas de proteção, seguindo protocolos dos governos municipal, estadual e federal, além de contar com o respaldo de uma equipe de médicos especialistas.

Entre as medidas destacamos o afastamento de todos que fazem parte de grupos de risco para a Covid-19. Por exemplo, o jornalista William Waack, um dos principais nomes da emissora, por ter mais de 60 anos, trabalha de casa desde a primeira semana de operação da CNN. A medida foi tomada por iniciativa da emissora, tanto no caso dele, quanto nos demais afastados.

Realizamos também o afastamento preventivo de todos os que apresentem sintomas compatíveis com a Covid-19 ou que tenham contato próximo com pessoas infectadas, seja na empresa, seja na própria família. Todos realizam testes custeados pela empresa. Essa tem sido a política desde o início das operações.

Também realizamos a limpeza e desinfecção de todos os ambientes da empresa com o Peroxid 4D, produto indicado para desinfecção hospitalar, que tem sua eficácia comprovada contra o COVID-19. O produto passou por testes alinhados aos protocolos da Organização Mundial da Saúde. Seguimos as orientações de aplicação do manual de higiene e limpeza para serviços de saúde da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Garantimos também o fornecimento de máscaras descartáveis, distribuição de álcool em gel nas mesas, distanciamento das estações de trabalho, medição de temperatura e saturação de oxigênio diária de toda a equipe, disponibilização de enfermeiros no ambiente de trabalho e acompanhamento médico personalizado para todos os casos suspeitos ou comprovados de Covid-19.

Além disto, foram feitas várias campanhas com orientações sobre os cuidados a serem tomados por todos, como a utilização de máscaras durante o expediente. Estas orientações, além de serem enviadas por comunicado eletrônico, foram afixadas em diversos pontos da empresa.

A CNN Brasil sempre foi diligente em tomar todas as medidas possíveis para garantir a segurança de seus funcionários. Por isso mesmo, passamos várias semanas sem nenhum caso da doença. Enfrentar a COVID-19, uma das pandemias mais contagiosas que se tem notícia, é um desafio de todo o planeta, que já contabiliza mais de 40 milhões de casos confirmados.

Quando houve o registro dos casos na semana retrasada, as medidas de higienização e testagem foram intensificadas. A aplicação do Peroxid 4D passou a ser feita a cada duas horas em toda a empresa. Foram submetidos a exame todos os que tiveram contatos com algum dos positivos. Foram mais de 130 exames realizados, a maioria absoluta com resultados negativos. Isso mostra que houve um pico de contaminação, mas que as medidas adotadas surtiram efeitos. A situação está controlada.

A CNN Brasil trata o assunto com transparência. Ninguém tem o poder de interromper a pandemia. O que temos a obrigação de fazer, e fazemos, é trabalhar para reduzir ao máximo as possibilidades de transmissão.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL