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Mauricio Stycer

Fim do Zorra representa mudança radical na área de humor da Globo

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Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

19/10/2020 16h09

De uma só vez, a Globo confirmou o fim de três programas de humor. O que isso significa?

O anúncio de que a Globo não vai mais produzir o Zorra, a Escolinha do Professor Raimundo e o Fora de Hora pegou muita gente de surpresa na semana passada.

A emissora vai aproveitar uma pequena parte das equipes destes três programas na criação de um novo humorístico para 2021. A justificativa oficial foi a pandemia de coronavírus:

"Diante dos desafios impostos pela Covid, que têm impactado muito nossos cronogramas de produção, optamos, em 2021, por reunir todo o potencial criativo da Globo em um programa novo", disse a Globo em nota.

É difícil acreditar que esta tenha sido a única razão para uma mudança tão drástica. Não é possível entender o que aconteceu sem lembrar dos últimos seis anos de produção da área de humor da Globo sob o comando de Marcius Melhem.

Foi um período de muita criatividade, provocação, crítica política, piadas com anunciantes, menções a concorrentes e brincadeira com a própria Globo.

A maior realização no período foi o Tá no Ar, que teve seis temporadas, entre 2014 e 2019. E o novo Zorra, que estreou em 2015, mantendo o nome do antigo programa, mas sem qualquer outro ponto de contato. Mas também teve o quadro "Isso a Globo Não Mostra", o "Fora de Hora", que substituiu o "Tá no Ar", e algumas temporadas da nova "Escolinha".

No final de 2019 e no início de 2020, Melhem foi alvo de uma investigação interna após denúncias de assédio. Segundo o colunista Leo Dias, uma das denunciantes foi a atriz Dani Calabresa. Até hoje, as denúncias nunca vieram a público.

Em março, Melhem pediu licença de quatro meses. No período, ficou nos Estados Unidos, acompanhando o tratamento de saúde de uma filha. Em agosto, ele deixou a Globo. A emissora divulgou uma nota elogiosa dizendo:

"A Globo e Marcius Melhem, em comum acordo, encerraram a parceria de 17 anos de sucessos. O artista, que deu importante contribuição para a renovação do humor nas diversas plataformas da empresa".

Ainda em março, dias após o início da licença de Melhem, o quadro "Isso a Globo Não Mostra" deixou de ser exibido. E agora em outubro, os outros três programas que tinham a mão do coordenador de humor foram cancelados.

O clima é de preocupação com o futuro de dezenas de profissionais envolvidos nestes programas. E também com o que virá pela frente. Vamos acompanhar.