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"Sob Pressão" reafirma todas as suas qualidades em especial sobre covid-19

A médica Carolina (Marjorie Estiano) ao final do primeiro episódio do especial "Sob Pressão: Plantão Covid" - Divulgação
A médica Carolina (Marjorie Estiano) ao final do primeiro episódio do especial "Sob Pressão: Plantão Covid" Imagem: Divulgação
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

14/10/2020 11h39

Nas suas primeiras três temporadas, "Sob Pressão" construiu a reputação como uma excelente série médica, a melhor já feita pela televisão brasileira. São vários os motivos do sucesso, mas o primeiro, e talvez mais importante, tenha sido a ideia de ambientar a ação em um hospital público.

Desde o início, o programa se estruturou em torno de três eixos principais: as dificuldades de exercer a medicina num hospital do SUS, os dramas familiares que levaram os pacientes a precisar de ajuda e as histórias pessoais dos médicos fora do local de trabalho.

A pandemia de coronavírus interrompeu o plano de gravar uma quarta temporada em 2020. A ironia não passou despercebida: uma série médica afetada por uma crise sanitária real.

Mas logo surgiu a ideia do especial "Sob Pressão: Plantão Covid" - uma forma de romper com o modelo tradicional da série, mas manter o seu espírito.

Transportando toda a ação para dentro de um hospital de campanha durante a pandemia, numa situação de isolamento social, o programa perdeu dois de seus eixos - as histórias dos pacientes e a dos médicos. E colocou todas as suas fichas no terceiro elemento - a rotina no interior de um hospital público.

O primeiro episódio foi arrebatador. Centrado basicamente no impacto que a pandemia causou nos próprios profissionais da saúde, levou a emoção ao extremo ao transformar o médico Evandro (Julio Andrade) em paciente de covid-19.

Como escrevi na "Folha", mesmo sabendo que estava sendo manipulado pelo roteirista Lucas Paraizo e sua equipe (Marcio Alemão, Flavio Araujo e Pedro Riguetti), o espectador chorou com prazer neste episódio catártico. Chorou de raiva, de tristeza e até de alegria.

O segundo episódio do especial, exibido nesta terça-feira (13), avançou em outras direções. Mostrou a irresponsabilidade de quem ignora os riscos da pandemia, expôs a dedicação de uma enfermeira (Roberta Rodrigues) aos parentes dos pacientes e buscou explicar ao público o que leva uma pessoa a decidir ser médico.

Enquanto Evandro lutava pela vida na terapia intensiva, um longo flashback mostrou um momento-chave em sua vida. Ainda jovem, Evandro (vivido por Ravel Andrade) conheceu o médico Samuel (Stepan Nercessian), ajudou a salvar a própria mãe (Fabíula Nascimento) e teve o clique que o levou a decidir ser médico.

O episódio ainda tem dois outros momentos de impacto. O primeiro, a decisão de Carolina (Marjorie Estiano) de participar da cirurgia de emergência a que Evandro, seu marido, é submetido.

E o segundo (desculpe o spoiler), a volta do médico ao trabalho, na cena final. É quando ele, mais uma vez, faz um discurso militante: "A gente precisa defender a saúde pública, a gente precisa acreditar na ciência. Só assim a gente vai ter um mundo mais justo, um país mais humano."

"Sob Pressão: Plantão Covid" representou um pequeno desvio de rota da série, mas altamente justificável no contexto. E cumpriu com glória a difícil missão de informar e sensibilizar sem descuidar de entreter.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL