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Mauricio Stycer

Perto dos 40 anos, e dos 90 anos de Silvio, SBT enfrenta momento complicado

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

05/10/2020 13h20

Quem gosta de televisão aberta está preocupado com o SBT, e não faltam motivos para isso.

Duas datas importantes estão se aproximando. No próximo dia 12 de dezembro, Silvio Santos faz 90 anos. E em 19 de agosto do ano que vem, o SBT completa 40 anos.

Este 2020 não está sendo um bom ano para a emissora. A pandemia de coronavírus afetou todos os canais, mas o SBT parece ter sentido mais do que os seus principais concorrentes, a Globo e a Record.

Primeiro, porque a emissora não aproveitou bem os primeiros meses do ano. São meses em que o SBT tira férias e reprisa a programação. Assim que as gravações de quase tudo foram suspensas, na segunda quinzena de março, a emissora tinha pouco material novo para exibir. E por isso a grade está até hoje cheia de reprises, o que afugenta a audiência.

E outra coisa: o SBT não aproveitou o momento para investir em jornalismo. Ao contrário, como indicam as dispensas no setor. Com o público ávido por informações, a emissora praticamente não alterou a sua cobertura jornalística. Quem investiu em jornalismo, viu a audiência saltar em março, abril e maio.

A queda na receita não é de hoje. Vem já de anos anteriores. Mas a crise se aprofundou este ano. E vieram novos cortes de gastos e mais demissões - o adiamento das gravações da segunda fase de "Poliana", anunciado na última quarta-feira (30), inclui o rompimento dos contratos de dezenas de profissionais. Falta cacife para bancar as suas estrelas.

As saídas de Larissa Manoela, em dezembro de 2019, e Maísa Silva, agora no início de outubro, são sintomáticas. Duas crias da casa que se foram porque o SBT ficou pequeno para elas. Larissa foi para a Globo e Maisa, que já tinha contrato para fazer filmes na Netflix, tem planos de voar mais longe.

Uma vitória importante, talvez a única este ano, foi a conquista dos direitos da Taça Libertadores na TV aberta. É um projeto ambicioso e com custos altos. Se conseguir bons patrocinadores, o que pode demorar um pouco, a emissora vai vislumbrar um caminho para o futuro. É interessante. Mas altera um pouco os rumos do SBT nos últimos anos.

Muita gente diz que o SBT tem um plano para o pós-pandemia. Tomara. É o que esperamos.