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Após destacar denúncia contra Paes, Record minimiza ação contra Crivella

Marcelo Crivella e Eduardo Paes - Reprodução de vídeo
Marcelo Crivella e Eduardo Paes Imagem: Reprodução de vídeo
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

10/09/2020 21h07

No intervalo de 48 horas, o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes, e o atual, Marcelo Crivella, foram alvos de operações da polícia e do Ministério Público. O destaque que os dois casos tiveram no principal telejornal da Record mostra como a política pode influenciar o jornalismo.

Crivella (Republicanos) é sobrinho de Edir Macedo, dono da Record e fundador da Igreja Universal. Assim como o presidente Jair Bolsonaro, o prefeito do Rio adotou a postura de considerar a Globo como inimiga do seu governo. Paes (Democratas) é adversário político de Crivella; ambos vão disputar a eleição municipal em novembro.

A ação contra Paes teve muito mais destaque e ocupou mais tempo no JR do que a ação contra Crivella. No telejornal da emissora, o ex-prefeito é acusado de "corrupção" enquanto o atual prefeito é investigado por "um suposto esquema de corrupção".

No "Jornal Nacional", da Globo, Paes e Crivella foram objeto de coberturas com destaque semelhante. Veja abaixo:

Na terça-feira (08), a notícia sobre a ação contra Paes foi tema da primeira chamada do "Jornal da Record": "Ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes, vira réu por crime de corrupção." No "Jornal Nacional", foi a quinta chamada (de um total de 10): "O ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes, vira réu por caixa 2 na campanha de 2012".

Tanto o JR quanto o JN dedicaram reportagens de quatro minutos ao assunto.

A do telejornal da Record começou assim: "Eduardo Paes, ex-prefeito do Rio de Janeiro e que voltou a ser candidato ao mesmo cargo, é denunciado pelo Ministério Público pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica".

A do telejornal da Globo começou assim: "O ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes, do Democratas, virou réu na Justiça Eleitoral. Ele é acusado de receber R$ 10 milhões em vantagens indevidas da Odebrecht via caixa 2 em 2012. O ex-prefeito disse que a investigação é uma tentativa de interferência no processo eleitoral".

Nesta quinta-feira (10), a ação contra Crivella não mereceu chamada no "Jornal da Record". No "Jornal Nacional" foi a sexta chamada, e informou: "O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, é alvo de buscas em operação anticorrupção".

O JR exibiu uma reportagem de 2:45 sobre o assunto, começando assim: "O prefeito do Rio de Janeiro foi um dos alvos de uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil que investigam suposto esquema de corrupção na Prefeitura".

O JN exibiu uma reportagem de quatro minutos, que começou assim: "Uma operação que investiga corrupção na Prefeitura do Rio de Janeiro fez buscas em endereços ligados ao prefeito da cidade, Marcelo Crivella, do Republicanos."

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL