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Os prós e contras da reinvenção do "MasterChef" em 2020

A apresentadora Ana Paula Padrão e os jurados Henrique Fogaça, Paola Carosella e Erick Jacquin, do MasterChef  - Divulgação: Band
A apresentadora Ana Paula Padrão e os jurados Henrique Fogaça, Paola Carosella e Erick Jacquin, do MasterChef Imagem: Divulgação: Band
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

30/08/2020 06h01

Lançado pela Band em 2014, a versão brasileira do "MasterChef" foi um sucesso imediato, trazendo inúmeros benefícios para a emissora. Não por acaso, nos anos seguintes, SBT, Record e Globo levaram ao ar programas de competição culinária muito semelhantes.

O "MasterChef" trouxe três coisas importantes para a Band: patrocinadores, audiência e engajamento nas redes sociais. Para uma emissora que não vivia os seus momentos mais gloriosos, a franquia de gastronomia se tornou uma galinha dos ovos de ouro.

Desde o lançamento, já foram seis edições regulares, com cozinheiros amadores, uma com crianças, três com profissionais e uma especial, com ex-participantes. Um exagero, na minha opinião, mas sintomático da importância que o programa adquiriu para a emissora.

Com a pandemia de coronavírus, a Band se viu diante de um impasse: como produzir a sétima temporada regular sem colocar em risco os participantes, os jurados e todos os técnicos envolvidos na gravação.

A solução, muito engenhosa, consistiu em transformar cada episódio numa disputa única. A cada semana, uma turma de participantes compete, um vence e pronto. Ninguém retorna ao programa. Desta forma, testados previamente contra a covid-19, os candidatos não colocam ninguém em risco e a emissora não precisa mantê-los sob vigilância.

Esta opção teve duas consequências negativas, do ponto de vista do público.

A primeira, e mais lamentada, é a impossibilidade de criar simpatias e torcer por um mesmo participante ao longo de semanas. O mesmo vale para antipatias - reclamar de um candidato por vários episódios.

O outro problema é a qualidade dos participantes. A cada semana fica mais explícito que a seleção não foi das mais rigorosas. Os candidatos são, em geral, fracos e cometem erros muito banais. Além disso, no formato original, muitos participantes têm a chance de evoluir ao longo do tempo, o que não é possível agora.

Por outro lado, para quem gosta de ver desastres na cozinha, a atual edição está sendo um prato cheio. E os jurados, ainda bem, não estão perdoando os absurdos. Entretenimento puro.

Maior patrimônio do "MasterChef", os três jurados, Paola Carosella, Erick Jacquin e Henrique Fogaça, seguem firmes, levando a sério a missão de nos divertir, mas tenho a impressão que eles também não estão muito à vontade neste novo formato.

Que a Band possa retomar logo o formato original é a minha torcida.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL