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Mauricio Stycer

Briga de Bolsonaro com a Globo já dura dois anos e não há sinais de trégua

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Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

17/08/2020 12h18

A delação do doleiro Dario Messer, dizendo que entregava dólares a integrantes da família Marinho, se tornou uma nova arma na guerra do presidente Jair Bolsonaro contra a Globo.

A notícia foi divulgada pela revista "Veja" na sexta-feira. A própria revista afirma que o doleiro não apresentou provas do que afirmou. No mesmo dia, no "Jornal Nacional", a Globo negou a acusação feita por Messer.

Bolsonaro foi às redes sociais e provocou. Primeiro fez um cálculo, com base na delação, afirmando que o doleiro poderia ter repassado R$ 1,75 bilhão aos Marinho. Depois, escreveu: "Aguardando para o 'Fantástico' de amanhã".

Os apoiadores do presidente passaram o final da semana reproduzindo a provocação e usando a hashtag "Rachadinha na Globo", numa alusão às investigações sobre a prática da "rachadinha" no gabinete do então deputado estadual Flavio Bolsonaro.

A Globo não comprou a provocação. Divulgou a denúncia no JN de sexta, mas não voltou ao assunto no "Fantástico".

Em março, Bolsonaro fez uma provocação semelhante à Globo com resultados diferentes. Era a época dos panelaços contra o presidente e ele disse, numa entrevista, que queria ver se o "Jornal Nacional" iria exibir as manifestações a favor dele também.

O JN mostrou os protestos contra Bolsonaro em todo o país e Bonner disse, então: "Também agora há pouco, mas em número bem menor, houve manifestações a favor de Bolsonaro". E exibiu o apoio ao presidente.

A citação à Globo na delação do doleiro veio em bom momento para Bolsonaro. Na semana anterior, ao registrar os 100 mil mortos pela covid-19, o "Jornal Nacional" apontou a omissão do governo federal no combate à pandemia e questionou se o presidente está cumprindo a Constituição no que diz respeito à saúde.

Em resposta, Bolsonaro acusou a Globo de ter "festejado" as 100 mil mortes, o que não é verdade.

Esta briga aberta, explícita, entre Bolsonaro e a Globo já dura dois anos. Em agosto de 2018, no início da campanha eleitoral, em entrevista a GloboNews o então candidato provocou a emissora dizendo que Roberto Marinho apoiou a ditadura. A jornalista Miriam Leitão leu de forma improvisada uma resposta passada pelo ponto eletrônico.

Por enquanto, não há sinais de que esta briga vá arrefecer.