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Cavalinhos do Fantástico são piada de mau gosto numa hora dessas

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

10/08/2020 13h41

Como todo mundo sabe, a televisão foi atingida em cheio pela pandemia de coronavírus. Reprises e mais reprises em todos os canais. Entrevistas feitas à distância. O fim do futebol.

Começou em março e continua em agosto. Já são quase cinco meses de quarentena e isolamento social. E a pandemia está longe do fim. Os números da covid ainda estão muito altos, mil mortes por dia. Chegamos a 100 mil mortos no Brasil...

Mas a ideia de que a economia não pode parar está vencendo. Aos poucos, as atividades estão voltando ao normal, apesar de todos os problemas graves.

O futebol, por exemplo. Neste fim de semana, voltamos a ter Série A, B e C. Jogos sem público, mas com televisão.

O início não poderia ter sido mais caótico. Dois jogos, um da série A, Goiás e São Paulo, e outro da série C, Imperatriz e Treze, foram adiados em cima da hora por causa de surtos de coronavírus entre jogadores. Os atletas protestaram, inclusive.

A Globo teve que exibir Flamengo e Atlético para São Paulo por causa da suspensão em cima da hora do jogo entre Goiás e São Paulo. E não foi mal de audiência. O público quer ver futebol.

Tudo bem. Mas não dá para tratar esta volta do futebol como se nada estivesse acontecendo. É uma situação triste, trágica. O narrador Luis Roberto lembrou do fato na transmissão.

Por isso, me incomodou muito a alegria do Tadeu Schmidt domingo no "Fantástico". Eu já acho sem graça essa história dos cavalinhos do "Fantástico" em dias normais. Mas tudo bem. Eu sei que é um sucesso, muita gente gosta.

Mas achei de um mau gosto tremendo neste domingo tratar da volta do futebol como uma brincadeira divertida. Não é.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL