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Mauricio Stycer

Lima Duarte lembra de Flavio Migliaccio em vídeo comovente: "Eu te entendo"

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Mauricio Stycer

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o "Lance!" e a "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Adeus, Controle Remoto" (editora Arquipélago, 2016), "História do Lance! ? Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo? (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011). Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Colunista do UOL

05/05/2020 21h49

Em um vídeo divulgado nesta terça-feira (05), o ator Lima Duarte, de 90 anos, fala sobre a morte do colega e amigo Flavio Migliaccio. "Eu te entendo, Migliaccio, porque eu, como você, sou do Teatro de Arena, com Paulo José, Chico de Assis, com o (Gianfrancesco) Guarnieri. Foi lá que aprendemos com o (Augusto) Boal que era preciso, era urgente que se pusesse o brasileiro em cena" (veja acima).

No vídeo, de quase cinco minutos, Lima relembra de momentos difíceis enfrentados pelos atores durante a ditadura militar e menciona: "Agora, quando sentimos o hálito putrefato de 64, o bafio terrível de 68, agora, 56 anos depois, quando eles promovem a devastação dos velhos, não podemos mais. Eu não tive a coragem que você teve".

Ao final, Lima Duarte diz: "Os que lavam as mãos, o fazem numa bacia de sangue". É uma referência a uma fala de um personagem, Pedro Jáqueras, da peça "Os Fuzis da Senhora Carrar" (1937), de Bertolt Brecht, que ele interpretou no Teatro de Arena. O texto da peça diz: "Eu já li, muitas vezes, que as pessoas que não querem assumir nenhuma culpa acabam lavando as mãos em bacias de sangue. E esse sangue, depois bem que se vê nas mãos!".

Migliaccio foi encontrado morto na manhã de segunda-feira (04) em seu sítio em Rio Bonito, no Rio de Janeiro. Tinha 85 anos. Como disse Lima Duarte, ele atuou na cena teatral de São Paulo na década de 1950, integrando o importante grupo Teatro de Arena.

Em texto publicado no Facebook, o filho do ator, o jornalista Marcelo Migliaccio, escreveu: "Ele sempre me dizia que não aguentava mais viver num mundo como esse e sentir seu corpo deteriorar-se rápida e irreversivelmente pela idade avançada. Pouco escutava e enxergava. 'Daqui para frente só vai piorar', ele me dizia enquanto eu buscava todos os argumentos possíveis para lhe mostrar que ainda havia muita coisa boa reservada para ele".