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Bom Sucesso agradou ao brasileiro cansado da estupidez atual, dizem autores

 Paloma (Grazi Massafera) leva Alberto (Antonio Fagundes) à quadra da escola de samba Unidos do Bom Sucesso - Globo/Paulo Belote
Paloma (Grazi Massafera) leva Alberto (Antonio Fagundes) à quadra da escola de samba Unidos do Bom Sucesso
Imagem: Globo/Paulo Belote
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

07/01/2020 05h01

Resumo da notícia

  • Perto do fim de "Bom Sucesso", os autores, Rosana Svartman e Paulo Halm, tentam explicar as razões do grande sucesso da trama
  • Na opinião de Halm, a novela alcançou "o brasileiro cansado com a estupidez e a boçalidade predominantes nos dias atuais"
  • Grupos de discussão mostraram o interesse do público pelo drama de Waguinho, que enfrenta vício, entra para o crime e consegue dar a volta por cima
  • Sobre diferentes pedidos de espectadores que "shipam" o casal Paloma-Ramon, os autores dizem: "Não escrevemos novelas para os fãs"
  • Ambos os autores gostariam que as novelas fossem mais curtas
  • Sobre escrever no futuro numa novela das 9, Halm e Rosane dizem a mesma coisa: "Aí é com o chefe, Silvio de Abreu"

O público pode ainda não saber como será o final de "Bom Sucesso", no próximo dia 24, mas não tem mais qualquer dúvida sobre o talento da dupla de autores da novela. Com três trabalhos bem-sucedidos seguidos, "Malhação Sonhos" (2014), "Totalmente Demais" (2015) e agora essa trama das 19h, Rosane Svartman e Paulo Halm comprovam que é possível oferecer entretenimento de qualidade na TV aberta.

Fãs de novela, Rosane e Paulo fizeram uma aposta ousada em "Bom Sucesso" - uma trama em torno da relação de um editor de livros prestes a morrer com uma costureira apaixonada pela vida, conversando sobre literatura. O Ibope indica que a decisão foi premiada - a média final será melhor do que a das 13 novelas que a antecederam no horário.

Com uma equipe de colaboradores afinada (Charles Peixoto, Fabrício Santiago, Claudia Sardinha, Felipe Cabral e Isabela Aquino), Rosane e Paulo foram fundo nas possibilidades de cruzamento entre novela e literatura, exploraram diferentes conflitos sociais, apontaram um caminho em matéria de diversidade racial e divertiram muito o espectador.

Nesta rara entrevista, a dupla fala sobre o nascimento da novela, como enxergam o papel deles como autores, respondem a críticas, revelam as surpresas que tiveram ao longo dos meses e contam quais são os seus planos futuros.

Rosane e Paulo - João Cotta/TV Globo - João Cotta/TV Globo
Rosane Svartman e Paulo Halm, os autores de Malhação Sonhos, Totalmente Demais e Bom Sucesso
Imagem: João Cotta/TV Globo

O que explica, na visão de vocês, o sucesso de Bom Sucesso, uma novela com mais audiência que as suas 13 antecessoras? O que vocês fizeram para conseguir esta rara comunhão entre os interesses do público e da crítica?

Rosane Svartman: Não existe uma receita, aliás, adoraria que existisse (eu e muita gente). Acho que o importante é a telenovela dialogar com o momento histórico cultural da sociedade e se antecipar de alguma forma ao que está latente, ou seja, temas sobre os quais as pessoas querem conversar. Mas como achar que temas são esses? Infelizmente, também não tem receita. O que resta ao autor é contar com a sua sensibilidade e prestar atenção no que está acontecendo a sua volta.

Na Bienal Internacional do Rio em 2017, havia uma campanha em que artistas conhecidos incorporavam grandes personagens da literatura: Capitu, Alice, Peter Pan... E estes personagens também circulavam pela feira tirando fotos e selfies. Foi dali que surgiu a ideia de celebrar a literatura na novela.

Não tem como escrever com o objetivo de agradar a crítica e/ou o público. Na minha humilde opinião, não dá certo nem na telenovela e nem em outras mídias. Acho que o importante é fazer algo que eu acredito, que me interessa (dentro dos limites de produção e da classificação indicativa) e torcer muito para estar em sintonia com o público e a crítica.

Paulo Halm: Apenas completando o que Rosane já disse, é preciso lembrar que, para chegarmos a Bom Sucesso, passamos quase um ano e meio apresentando sinopses de novela que foram recusadas, algumas delas particularmente eu achava - e acho - que eram muito boas e poderiam muito bem ter virado novelas.

O que Bom Sucesso tem que as outras sinopses não tinham? Provavelmente uma sintonia com o momento vivido pelo público, mais especificamente, pela sociedade e pelo país (que o espectador com certeza representa), algo difícil de se detectar ou mesmo prever quando pensamos a trama e mesmo quando começamos a escrever - até porque cada vez estamos escrevendo as novelas com grande antecedência à sua data de exibição.

Acho que Bom Sucesso acabou falando ao público do segundo semestre de 2019, ao brasileiro cansado com a estupidez e a boçalidade predominantes nos dias atuais e funcionando como um bálsamo de sensibilidade, empatia e de civilidade. Talvez há um ano, nossa novela tivesse sido ignorada ou até mesmo rejeitada por uma plateia mais hostil ou refratária aos temas que abordamos (e à forma como abordamos esses temas).

Vocês nunca temeram que a ideia de centrar a trama em torno de um editor de livros com uma doença terminal poderia afugentar o espectador?

Rosane: Na verdade, a pré-sinopse começou através da Paloma, uma mulher com dupla, tripla jornada, que trabalha longe de casa e é chefe de família. Quando eu li uma estatística sobre o número de mulheres nessa situação fiquei me perguntando o que aconteceria se alguém desse para elas uma chance de se reinventar, de refletir sobre o presente e principalmente o futuro. Bem, achei que um bom estopim para isso seria ela achar que iria morrer.

Obviamente, fomos buscar conflito e um personagem que pudesse ser a antítese dessa mulher. Para começar, alguém que sabe que vai morrer e que acha por um momento que está curado. Mais que isso, um personagem que sempre teve tudo que quis, ao contrário de Paloma. Se Paloma, apesar da vida dura, era solar, esse personagem precisava ser rabugento; se ela era generosa, ele precisava ser egoísta e assim por diante. Ao mesmo tempo, havia a influência da Bienal do Livro e dos grandes autores e editores que conheci. Juntamos as duas coisas. O que poderia unir esses personagens tão diferentes? O amor pelas grandes histórias da literatura. Ao mesmo tempo, personagens tão diferentes têm muito o que ensinar um para o outro.

Paulo: Na verdade, quando a Rosane veio com essa ideia de um personagem doente terminal, eu reagi um pouco. Minha filha Maria tinha acabado de nascer e eu estava cheio de vontade de falar sobre vida, sobre começos, descobertas e não sobre morte ou finais de jornadas.

Mas logo percebi que nada mais interessante e rico para falar justamente da beleza da vida do que aquele momento em que nos damos conta da nossa finitude, e de como é importante saber exatamente aquilo que é fundamental e necessário em nossa existência. As poucas, mas realmente importantes coisas que valem a pena serem vividas e partilhadas com aqueles que amamos e com quem convivemos.

Em linhas gerais, de forma bem sucinta, a trama de Bom Sucesso é o encontro entre uma pessoa com uma vontade enorme de viver e descobrir coisas, mas sem condições materiais que lhe proporcione ter acesso a essas experiências, com outra pessoa que possui as condições materiais necessárias para uma vida plena e que por isso acha que já viveu e experimentou tudo. Nossa novela fala justamente desse encontro e da troca de vivências e experiências entre essas pessoas diferentes, e de como um acaba ampliando a percepção da vida e a fruição do mundo do outro.

Waguinho - Reprodução/TV Globo - Reprodução/TV Globo
A história de Waguinho (Lucas Neto), que foi levado ao crime e conseguiu dar volta por cima com Alice (Bruna Inocêncio), encantou o público
Imagem: Reprodução/TV Globo

Vocês podem contar o que surpreendeu positivamente ao longo da novela? Falo de personagens, temas, atores que vocês não tinham certeza como seriam recebidos pelo público.

Rosane: Muita coisa me surpreendeu, mas acho que uma história pontual que me chamou muita atenção foi a história do Waguinho. Explico. Ficamos com bastante receio de tratar de compulsão, vício, doença, violência em uma novela das 19 horas e mais ainda da reação do público. Mas na pesquisa ouvimos muitas mulheres falando que têm jovens da família ou amigos dos filhos que passaram por isso e que para elas foi muito bom assistir uma história de superação. Era uma trilha narrativa que sempre era mencionada espontaneamente nos grupos de discussão. Fiquei bem feliz.

Peter e Sofia - Globo - Globo
Peter (João Bravo) e Sofia (Valentina Vieira) numa encenação de Peter Pan e Wendy
Imagem: Globo
Paulo: Me surpreendeu muito as pessoas embarcarem nas "viagens" proporcionadas pelas leituras dos livros e demais textos, da mesma forma que a Paloma viajava ao ouvir os relatos de Alberto. Se formos pensar que o espectador de telenovela, especificamente do horário das sete, sabidamente um horário em que há uma dispersão enorme por parte das pessoas que estão chegando em suas casas, vindas do trabalho ou da escola, se preparando para jantar, parou para escutar pessoas falando trechos de livros, trechos de poemas, textos densos, longos, num jogo cênico e num ritmo que mais se aproxima do teatro por conta da valorização da palavra, bom, isso é realmente surpreendente.

Claro que muitas vezes "ilustramos" esses textos com uma encenação (que evocava sempre a encenação teatral, com uma interpretação e uma caracterização não naturalista), ou usando o recurso da narração em voice over, atravessando diferentes cenas e situações, quase como um clipe. Claro que esses textos eram lidos ou declamados pelo Fagundes, o que faz toda a diferença. Mas constatar que em pleno 2019 as pessoas iam dedicar uma parte de seu tempo, de sua atenção e da sua sensibilidade para escutar pessoas lendo e comentando literatura, é realmente uma grata surpresa.

Há uma preocupação na novela de contemplar diversidade social, racial e sexual. Isso também se expressou na equipe que estava por trás da novela, certo? De que forma uma coisa se relaciona com a outra?

Rosane: Acho que um roteirista pode escrever sobre tudo, existe essa liberdade criativa sim, e seu ponto de vista faz parte da obra. Mas, pessoalmente, também acho que uma equipe de pessoas de várias gerações, com diferentes trajetórias, enfim com diversidade racial e sexual só enriquece o roteiro, principalmente de uma telenovela - uma narrativa com tantos núcleos, personagens e que precisa ser escrita em tão pouco tempo (entregamos seis capítulos por semana).

Além disso, acho que a telenovela é uma narrativa resiliente por dialogar com a sociedade e para isso é preciso também fazer um esforço para tentar retratar melhor essa sociedade, dentro dos limites de uma produção diária e das características de linguagem dessa dramaturgia - melodrama. Mas acho que ainda tem um longo caminho pela frente neste sentido. Além disso, a telenovela precisa conversar com o momento atual (mesmo que seja de época, na minha opinião) e acho que as lutas identitárias que fazem parte do ethos da atualidade passam a influenciar essa narrativa e sua produção.

Paulo: Só completando: infelizmente estamos ainda muito distantes de contemplar a diversidade social, racial e sexual da sociedade brasileira, seja nos personagens, no elenco e nas equipes que escrevem e produzem as novelas. Mas seguimos nos esforçando para tentar produzir algo que reflita, contemple e represente esse Brasil diverso.

Paloma, Marcos e Ramon - Reprodução/TV Globo - Reprodução/TV Globo
Ramon (David Júnior) e Paloma (Grazi Massafera) reataram o casamento, mas a relação não prosperou
Imagem: Reprodução/TV Globo

Mesmo assim, muitos fãs não estão satisfeitos com o desenrolar de algumas tramas, em especial a relação entre Paloma e Ramon. Havia uma torcida grande para que eles ficassem juntos, formando um casal interracial. Não vai acontecer?

Rosane: Obviamente não vou dizer o que vai e o que não vai acontecer. Acho que os dois personagens se transformaram muito desde o início da novela - bem, personagem é transformação então não tem muita novidade aqui. Mas acho que, juntos ou separados, eles são família, o que é um valor muito importante.

Paulo: É preciso diferenciar a leitura da novela pelo grande e diverso conjunto de espectadores fiéis e diários da novela, sei lá quantos milhões de pessoas, do desejo da torcida organizada de fãs clubes e de "shippadores" de casais, que fazem muito barulho nas redes sociais, mas que numericamente não são tantos assim. Na verdade, são bem poucos.

É legal acompanhar as postagens dessa turma, são comentários quase simultâneos ao que é exibido, e o que mais se aproxima ao aplauso ou à vaia de uma apresentação ao vivo. Muitas vezes esses comentários, mesmo os mais críticos - e quem acompanha a novela pelo Twitter sabe como as críticas são passionais, algumas beirando ao linchamento - nos ajudam no desenvolvimento de determinadas tramas.

Mas não escrevemos novelas para os fãs. Até porque é impossível satisfazer o desejo de um fã-clube sem frustrar os anseios de outro.

Em Totalmente Demais, por exemplo, havia mais paridade entre os Jolizas e os Arlizas, a disputa para ver quem ia ficar com a Eliza (Marina Ruy Barbosa) era bem mais intensa. Em Bom Sucesso a gente tem visto coisas malucas como disputas entre fãs de casais totalmente diferentes, por exemplo, os Nanarios, aqueles que shippam Nana (Fabíula Nascimento) e Mario (Lúcio Mauro Filho), reclamam que damos menos atenção ao seu casal preferido do que dedicamos a Marcos (Rômulo Estrela) e Paloma, ou à Gabriela (Giovanna Coimbra) e Vicente (Gabriel Contente), por exemplo.

Muita gente lamentou, e até escrevi a respeito, que Bom Sucesso passou por uma mudança de tom semelhante a uma ocorrida em Totalmente Demais, mergulhando em tramas mais pesadas e soturnas na reta final. Como vocês enxergam esta reclamação?

Elias - Divulgação/TV Globo - Divulgação/TV Globo
Elias (Marcelo Faria) surgiu na reta final para chantagear Paloma e salvar a vida de Gabriela (Giovanna Coimbra). "Uma rapsódia" prevista na sinopse, explicam os autores
Imagem: Divulgação/TV Globo
Rosane: Essa virada ou rapsódia (no caso de Elias) estava prevista desde o início justamente pensando que a novela pegaria férias, verão, Natal e Ano Novo (apesar do capítulo de Natal ter mudado por conta de capítulos grandes, infelizmente - a ideia era um capítulo mais leve e feliz). Gostamos muito de oferecer uma narrativa mais acelerada, com mais ação e certo suspense na reta final de uma novela de 155 capítulos (175 no caso de Totalmente Demais e passando de 200 em Malhação) para não ficar repetitiva. Queremos oferecer uma novidade, mas isso não significa que vamos abandonar a literatura, as cenas de emoção e ternura, pelo contrário, elas continuam e ganham mais textura melodramática.

Paulo: É preciso lembrar que essas rapsódias mirabolantes, com alguma tensão dramática e suspense policialesco, nos renderam as maiores audiências semanais e/ou diárias tanto em Totalmente Demais quanto agora, em Bom Sucesso. Portanto, a reclamação, se é real, não afetou a audiência.

Mas mesmo nesses momentos, digamos, mais "apelativos", não abrimos mão daquilo que todos concordam ser o ponto alto de Bom Sucesso, o diálogo com a literatura, com a poesia. Pelo contrário, procuramos textos que fizessem um contraponto lírico com as cenas mais fortes.

Babaioff - Reprodução/TV Globo - Reprodução/TV Globo
Armando Babaioff foi um dos destaques da novela no papel do vilão Diogo
Imagem: Reprodução/TV Globo

Esta reta final, com a volta de Diogo para a sua vingança, não pode ser vista como uma repetição, uma "barriga", da novela? O que o espectador pode esperar destas últimas semanas?

Rosane: Mais uma vez, não vou falar muito do futuro, mas não considero que a volta de Diogo seja uma barriga. Acho que é uma reviravolta. O personagem arrivista e interesseiro volta rico querendo se vingar de quem supostamente o humilhou. Mas ainda tem outras tramas para acontecer também - o desenrolar da doença de Alberto, o carnaval... enfim. E paro por aí.

Paulo: "Barriga" é quando nada acontece, aquele momento em que a novela acaba pisando no freio dos acontecimentos para se acomodar nos cento e tantos capítulos em que ela tem que ser contada. Não concordo que a vingança do vilão, com todas as consequências que seus atos e desatinos possam causar nos demais personagens da novela, possa ser considerada uma barriga. Pelo contrário, é conflito, e onde há conflito não há inércia.

E o Diogo, apesar de desprezível e calhorda, é um personagem divertido, brilhantemente interpretado pelo Armando Babaioff. Mas a vingança de Diogo também é mais um pretexto para falarmos de literatura, trazer à cena citações de clássicos e de poemas que, como já falamos diversas vezes aqui, é o coração da novela.

Vocês concordam que as novelas, de uma maneira geral, deveriam ser mais curtas hoje em dia?

Rosane: Sim, claro. Mas menos pelo lado da narrativa e mais pelo lado da musculatura necessária para escrever tantos capítulos em tão pouco tempo. É preciso lembrar que as novelas antes tinham menos núcleos, menos personagens, menos cenas por capítulo. Eu tenho uma lista enorme de coisas que preciso fazer quando terminar a novela (além de dormir). Já virou até piada, minha resposta é sempre "quando terminar a novela eu faço/leio/organizo/levo/arrumo...".

Paulo: Eu adoraria que as novelas fossem menores, pois é uma tarefa hercúlea produzir tantas páginas de texto diariamente - e penso que deva ser igualmente penoso e cansativo para os atores, os diretores, os produtores, os demais artistas e técnicos envolvidos nas gravações, intermináveis. Mas, apesar de cansativo, é fascinante contar uma história com seus múltiplos desdobramentos e reviravoltas para tantas pessoas por um período tão longo. É uma coisa mesmerizante.

Totalmente Demais também foi muito bem de audiência, num patamar um pouco abaixo de Bom Sucesso. Qual é a fórmula dessa dupla de autores?

Rosane: Nós nos divertimos e nos emocionamos escrevendo juntos. Sentamos lado a lado diariamente. Falamos os diálogos em voz alta, interpretamos os personagens e assistimos os capítulos, comentando. Além disso, temos uma equipe incrível e muito participava (Charles Peixoto, Fabrício Santiago, Claudia Sardinha, Felipe Cabral e Isabela Aquino). Eles escrevem cenas, claro, mas também sugerem muitas trilhas, nos reunimos semanalmente.

Paulo: A Rosane, entre as mil e uma coisas que faz simultaneamente, concluiu o doutorado dela, pouco antes de a novela começar a ser produzida. Então eu acho que nossa parceria funciona maravilhosamente porque ela é doutora, e eu paciente. :)

Depois de duas novelas da 7 tão bem recebidas, o próximo passo é a novela das 9?

Rosane: Aí é com o chefe, Silvio de Abreu. Mas acho que ele concorda que a gente precisa de um tempinho para viver, ler, ver filmes, séries, novelas, experimentar coisas novas, ter contato com outros assuntos, mídias e renovar nosso repertório.

Paulo: Meu próximo passo depois de Bom Sucesso é dirigir meu longa-metragem De Pai Pra Filho, que está dependendo única e exclusivamente da burocracia da Ancine liberar os recursos já captados para iniciar as filmagens. Espero que isso aconteça ainda nesse primeiro semestre.

Quanto às novelas, não acho que o sucesso obtido na faixa das 7 seja o passaporte natural para o horário das nove, são dramaturgias tão diferentes, horários que pedem temáticas e abordagens tão distintas... Pessoalmente, adoraria escrever uma novela de época. Eu fui um garoto de baixa classe média suburbano que cresceu assistindo as novelas das 6 nos anos 1970, adaptações de clássicos da literatura como Escrava Isaura, A Moreninha, Olhai os Lírios No Campo, O Feijão e o Sonho, novelas maravilhosas. Isso foi muito importante na minha formação artística. Mas, como a Rosane disse, quem decide é o Mestre Silvio.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL