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Marcelle Carvalho

REPORTAGEM

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Alexandre Barillari: 'A Record não me deu a projeção que eu tinha na Globo'

Alexandre Barillari na pele de Prudêncio: ator torce para que a participação em "Nos Tempos do Imperador" seja retomada - arquivo pessoal
Alexandre Barillari na pele de Prudêncio: ator torce para que a participação em 'Nos Tempos do Imperador' seja retomada Imagem: arquivo pessoal
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Marcelle Carvalho

Marcelle Carvalho é jornalista que cobre, há duas décadas, o universo da televisão. Suas maiores paixões são novelas e séries, que serão abordadas aqui a partir da visão de quem vê e de quem faz.

Colunista do UOL

19/01/2022 04h00

Alexandre Barillari fez uma viagem à infância ao entrar em "Nos Tempos do Imperador". Apaixonado pela História do Brasil, o ator visitou o Museu Imperial, em Petrópolis, cidade da região serrana do Rio, onde sua família tem casa. Imediatamente, se viu, pequeno, se divertindo naquela casa, com um calçado bem peculiar.

Em minhas memórias da infância em Petrópolis, estou andando de pantufas no Museu Imperial. Achava a casa divertida, principalmente, porque a gente tinha que andar com um calçado engraçado (risos). Toda vez que vou à cidade, levo um amigo lá e aproveito para ver o que de novo está exposto no museu. Mesmo indo, agora, por conta da novela, não tem como não me ver criança naquele lugar que sempre me fascinou", conta Barillari.

Aliás, o ator está mesmo encantado com a participação na trama das 18h. Prudêncio, um pintor que está na Guerra do Paraguai para retratar o conflito em seus trabalhos, é o seu passaporte para o retorno à Globo, após mais de 10 anos na RecordTV. Barillari não se faz de rogado e torce para que a participação na novela possa lhe render frutos.

Espero que seja uma retomada mesmo. Os anos na Record me deram muitas coisas, mas não a projeção que eu tinha na Globo", analisa o ator.

Mas a viagem no tempo não para por Petrópolis. Formado em Arquitetura - ele entrou na faculdade aos 16 anos - Barillari lembra que curso funcionava no prédio de Belas Artes. Dar vida a um pintor, segundo ele, é resgatar a memória dos traços, dos desenhos que desenvolvia no curso superior.

Houve momentos na trama que eu coloco meu traço sobre esboços de Prudêncio. Foi bom recordar esse tempo longínquo. Na verdade, fiz Arquitetura para driblar o desejo dos meus pais de que eu fosse militar, me tornasse um general de Exército", diz o artista

Eita, militar? Como assim?

Venho de uma família de militares e meus pais não queriam que eu fosse ator. Foi difícil fazer teatro escondido. Quando descobriram, não me apoiaram. A chave mudou quando fiz Salsa e Merengue (1996). O que era impossível na cabeça deles, passou a ser viável", recorda Barillari, que estreou na trama de Miguel Falabella.

Aura de nostalgia

A conversa com o ator, aliás, tem os dois pés fincado na nostalgia. Barillari traz um sorriso na voz quando menciona "Salsa e Merengue". Ele lembra que era estudante de Arquitetura na época e que o sucesso foi tamanho que não podia sair na rua. Na pele de Antônio, rapaz que se vestia de príncipe para dançar com as debutantes, o ator passou a desempenhar a mesma função na vida real.

Fiz inúmeros bailes de debutantes. Só na Disney foram 40. As meninas não queriam mais dançar valsa, queriam salsa", diverte-se ele, que volta para Globo após mais de 10 anos na Record, e deixa transparecer certo saudosismo:

Era uma época em que as pessoas conheciam você apenas pela televisão. Hoje, abre-se o Instagram e sabe-se tudo. Era um tempo em que não tinha esse fanatismo de querer fama. Tudo hoje é fugaz. Tenho rede social, sim, seguidores, mas não surfei nesta onda da superexposição. Até porque, é a impressão da vida do outro com filtros, maquiagem. A realidade é dissonante daquilo, todo mundo tem seus segredos, vida sem filtros", discursa.

O vilão Guto, de "Alma Gêmea" (reprise no canal Viva! no fim do mês), se fosse de verdade, se esconderia muito bem atrás da bela estampa e do mundo que quisesse inventar para esconder sua índole. Porém, foi na pele dele que se descortinou um Barillari fora da zona de conforto, sem ser o galã.

Foi um divisor mesmo, Até hoje as pessoas me chamam de Guto. Deve-se também a quantidade de reprises que a novela tem. Hoje em dia, ainda tem um resquício disso, de ser o galã. Me incomoda? Acho que só porque não me vejo mais assim, olho no espelho e ele não me mostra. Mas eu não tenho controle sobre o olhar das pessoas", constata o artista.

Aos 48 anos, Barillari finalizou o filme "Amado", de Edu Felistoque, e é um dos colaboradores do livro "O Que Você Precisa Saber sobre Shakespeare Antes que o Mundo Acabe". Além disso, está formatando projeto para TV a cabo sobre o dramaturgo inglês, parceria que teve com Bárbara Heliodora, crítica de teatro e uma das maiores especialistas da obra do escritor. Ela morreu em 2015, e o ator quer levar o legado adiante.

O projeto se chama "Shakespeare dá Samba" e a ideia é falar do homem através de suas peças. A intenção é levar o dramaturgo para todo mundo", almeja ele.