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Marcelle Carvalho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Final sonolenta da 'Ilha Record' não condiz com a trajetória do reality

Ilha Record: Os exploradores na final do reality show - Reprodução/Record TV
Ilha Record: Os exploradores na final do reality show Imagem: Reprodução/Record TV
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Marcelle Carvalho

Marcelle Carvalho é jornalista que cobre, há duas décadas, o universo da televisão. Suas maiores paixões são novelas e séries, que serão abordadas aqui a partir da visão de quem vê e de quem faz.

Colunista do UOL

10/09/2021 04h00

Gente, o que aconteceu com a "Ilha Record"? Há poucos dias, manifestei na coluna todo o meu apreço pelo programa, que considerava o melhor entretenimento na TV aberta atualmente. Porém, essa final não condisse com a trajetória do reality: foi sonolenta, sem empolgação. Não teve o mesmo brilho de toda a temporada. E deu pra ver isso logo de cara.

Os agora ex exilados pareciam querer estar em outro lugar, menos ali. A animação de estarem vivendo o último capítulo de um programa inédito, do qual foram os primeiros participantes, estava no pé. Vendo que a coisa não engrenava, de repente, me veio a lembrança de outra final de reality sem energia: "No Limite". Coincidentemente, os participantes também foram reunidos em estúdio, havia um prêmio (ótimo!) para o terceiro lugar, decidido através do voto, só que entre os próprios concorrentes. A diferença é que na "Ilha Record" o vencedor não saiu de uma votação popular, mas a sorte foi que definiu Any Borges como a campeã desta primeira edição.

reality - Reprodução/Record TV - Reprodução/Record TV
Ilha Record: Pyong Lee na final do reality show
Imagem: Reprodução/Record TV

Pyong Lee, o outro finalista, aliás, deve ter adivinhado o resultado, porque não esboçou o mínimo de empolgação. Tudo bem que deve ser frustrante participar de casa da grande final, por ter sido testado positivo para covid. Mas a impressão era a de que ele queria que tudo terminasse logo, tamanha a cara de velório do hipnólogo.

Fato é que Sabrina Sato parecia ser a única imbuída do espírito da final. A apresentadora bem que puxava, dava uma cutucadinha aqui outra ali, mas nem assim a turma deixava o ar protocolar. Só não foi uma desolação total porque a comandante da "Ilha Record" nos proporcionou momentos divertidos. Como era ao vivo, de vez em quando ela se embananava, foi espirituosa quando sentiu ter dado uma derrapada, mas sem se arriscar demais no improviso. Precisa fazer menos programas gravados para ganhar mais jogo de cintura.

Apesar de o clima da final ter ficado aquém do que foi toda a temporada do reality, não posso fechar os olhos para situações que tiraram o povo do clima de velório. A primeira delas foi a votação para saber quem seria a eleita do público para ganhar os R$ 250 mil: Nadja ou Mirella. Quando a Gêmea Lacração levou a melhor, seus aliados explodiram e foram correndo abraçar a 'alguinha'. Claro que quando teve a palavra, Nadja desdenhou do prêmio, sendo que pouco tempo antes tinha pedido com afinco que votassem nela. Nadja sendo Nadja...

A vitória de Any também tirou os companheiros da inércia, que comemoram muito a DJ ter conseguido os R$ 500 mil. Além de vibrarem com o fato de ela usar a expressão 'xeque-mate', tão alardeada por Pyong, no próprio hipnólogo. Empolgados com o momento, a turma nem percebeu a saída à francesa de Nadja e Antonella, que não esperaram Sabrina Sato encerrar o programa. Tsc, tsc... que deselegante, meninas.

Ainda considero a 'Ilha Record' como uma boa diversão para antes de dormir. E torço por uma segunda temporada. Apenas queria ter visto os participantes fecharem a primeira edição com mais animação. Porque com exceção de alguns momentos, a final deu sono.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL